Barra Cofina

Correio da Manhã

Economia
7

365 milhões de crédito em dívida

O balcão virtual do Banco Insular (BI) de Cabo Verde – instituição responsável por grande parte do buraco financeiro do BPN – continha 365 milhões de euros de crédito em dívida quando foi mandado encerrar pela administração de Miguel Cadilhe, em 2008.
2 de Abril de 2011 às 00:30
Nos últimos dois anos houve várias manifestações de clientes do BPN em frente às agências do banco
Nos últimos dois anos houve várias manifestações de clientes do BPN em frente às agências do banco FOTO: António Cotrim/Lusa

Segundo um inspector tributária da Direcção de Finanças de Braga – testemunha-chave no processo BPN – em 30 de Junho de 2008 "havia empréstimos activos no balcão 2 do Insular que foram transferidos para o BPN Cayman". "Dos que identifiquei, existiam 365 milhões de euros em dívida, mas podem existir mais", disse ontem em julgamento a testemunha que participou na investigação do caso.

Apresentando as bases de dados com os movimentos do BI e do seu balcão virtual (onde eram camuflados prejuízos), o inspector tributário adiantou que foram feitos 124 114 movimentos bancários no balcão fora da contabilidade oficial e explicou que passaram pela conta de ligação ao balcão oficial do Insular débitos no valor de 9,7 mil milhões de euros.

Ao colectivo de juízes, a testemunha explicou que o balcão virtual teve 4335 contas abertas, das quais só 4156 registavam movimentos. Neste pacote estavam incluídas 60 contas correntes caucionadas – 59 offshores do universo SLN e a famosa A1, que a acusação define como sendo uma conta pessoal do ex-presidente do BPN, Oliveira Costa – que, de acordo com as declarações do inspector tributário, chegaram a obter crédito no valor de 537,6 milhões de euros. As bases de dados com os movimentos bancários do BPN Cayman e BI, apreendidas pela investigação, permitiram ainda perceber que foram criadas 4081 contas no balcão virtual do BI referentes aos depósitos dos clientes em Cayman que eram usados para ‘esconder’ os elevados montantes a descoberto que algumas contas do balcão oficial do Insular registavam. Na 12ª sessão de julgamento, o inspector tributário demonstrou ainda que a os primeiros movimentos lançados no balcão fora de balanço foram registados em 23 de Abril de 2003.

JUIZ VIU NEGADO PEDIDO DE MAIS UM FUNCIONÁRIO

O juiz que preside ao colectivo do processo BPN, Luís Ribeiro, admitiu ontem que pediu à Direcção--Geral da Administração da Justiça a colocação de mais um funcionário na 4ª vara criminal que ficasse adjudicado "em exclusividade" ao caso, mas o pedido foi recusado. "Neste momento há incapacidade de meios", disse o juiz, rematando: "Só temos uma funcionária a trabalhar neste processo que tem em mãos este e mais cem". A explicação surge depois de os advogados se terem queixado da falta de digitalização de alguns documentos.

BPN CLINTES ADMINISTRAÇÃO CADILHE JUIZ PROCESSO
Ver comentários