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Correio da Manhã

Economia
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900 milhões para acabar Alqueva

Novecentos milhões de euros é o que falta para concluir toda a obra de Alqueva. O Governo anunciou ontem esta verba em Beja, durante a visita às obras da barragem do Pisão, uma das componentes do complexo do grande lago alentejano. Num dia dedicado por completo ao Baixo Alentejo, foi também lançada a primeira pedra do novo aeroporto civil de Beja.
28 de Janeiro de 2007 às 00:00
O primeiro-ministro, José Sócrates, destacou a importância destes dois projectos como vértices do “triângulo de desenvolvimento do Alentejo”, a par do porto de Sines.
No que toca à barragem de Alqueva, o Governo diz mesmo ter “pressa” para que o investimento se conclua.
“Alqueva é um projecto nacional. Precisamos de o completar muito mais rapidamente do que tinha sido inicialmente previsto”, disse José Sócrates, justificando esta vontade com a necessidade de criar as condições necessárias ao investimento na região ao nível agrícola, turístico e energético.
Há cerca de um ano, o Executivo tinha anunciado a antecipação do termo da obra em dez anos, passando de 2025 para 2015. Os 900 milhões de euros necessários para a conclusão do projecto serão assegurados pelo Plano de Desenvolvimento Rural em 600 milhões de euros e o restante por fundos europeus. Até à data já foram investidos no projecto cerca de 1100 milhões de euros. No final, o custo total de Alqueva rondará os 2000 milhões de euros.
O porto seco de Sines
Ao final da tarde de ontem foi lançada a primeira pedra do futuro Aeroporto de Beja. Esta infra-estrutura é desejada pela região há mais de dez anos. De acordo com o ministro das Obras Públicas, Mário Lino, até ao final de 2008 haverá aviões comerciais e de carga a descolar e a aterrar em Beja.
“Funcionará como o porto seco de Sines. Uma plataforma de apoio e de desenvolvimento da região”, disse. A infra-estrutura será construída na antiga Base Aérea 11 e terá um custo de 33 milhões de euros.
OS VÉRTICES DO TRIÂNGULO
Ao longo de todo o dia de ontem, José Sócrates insistiu na ideia de que o complexo de Alqueva em conjunto com o futuro Aeroporto de Beja e o porto de Sines formarão um “triângulo de desenvolvimento, uma alavanca para o Alentejo”. O primeiro-ministro afirmou serem estas as prioridades para Beja: “Reforçar a competitividade no contexto da economia nacional.” Alqueva assegura a produção agrícola resultante do regadio e potencia as valências turísticas da região, o Aeroporto de Beja serve de entrada de turistas e saída de mercadorias, tudo em articulação com o porto de Sines, devido à sua importância ao nível logístico e energético.
É esta a meta a alcançar, segundo o primeiro-ministro. A juntar a estes projectos está também na agenda do Governo a conclusão do IP8, via que ligará Sines à fronteira com Espanha e o aproveitamento do IP2 que liga Beja aos distritos de Évora, a Norte, e de Faro, a Sul. Estas vias são consideradas também elas fundamentais pelo Executivo.
MAIS FUNDOS PARA O REGADIO
O ministro da Agricultura justificou hoje o facto de Alqueva receber mais de dez por cento das verbas previstas no Plano de Desenvolvimento Rural (PDR) com a importância nacional do projecto no sector do regadio. “Têm-se ouvido algumas vozes a indicar que o País não é só o Alentejo. Estas vozes ainda não se deram conta de que o Alqueva tem uma importância nacional em termos de agricultura”, afirmou Jaime Silva.
A reacção do ministro surgiu depois de o dirigente da Confederação Nacional de Agricultura Armando Carvalho ter criticado o facto de o investimento público proposto para o regadio do Alqueva, 12 por cento do PDR, ir financiar grandes projectos de turismo de luxo, ainda que indirectamente, com verbas que deveriam ser destinadas ao desenvolvimento agro-rural. Jaime Silva reagiu hoje às criticas, afirmando que “nada melhor simboliza” as prioridades do PDR, que são o regadio e a competitividade da agricultura portuguesa, do que o Alqueva. O governante destacou ainda que os sinais da importância de Alqueva já são visíveis, nomeadamente no investimento realizado em novos olivais na região alentejana.
APONTAMENTOS
REUNIÕES
Durante o périplo de dois dias pelo Baixo Alentejo, o Governo jantou sexta-feira à noite com os autarcas dos 14 concelhos do distrito. Ontem, ao final da tarde, foi a vez de reunir com os parceiros sociais de Beja.
FÁBRICA
Em Garvão, concelho de Ourique, José Sócrates inaugurou a Montaraz, uma fábrica de transformação de carne de porco preto. Um investimento de 1,7 milhões de euros que criou 25 postos de trabalho, 15 dos quais para habitantes locais.
COMITIVA
Sócrates fez-se acompanhar por sete dos seus ministros. Jaime Silva (Agricultura), Mário Lino (Obras Públicas), Vieira da Silva (Trabalho e Seg. Social), Isabel Pires de Lima (Cultura), Nunes Correia (Ambiente), Severiano Teixeira (Defesa) e Maria de Lurdes Rodrigues (Educação).
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