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Correio da Manhã

Economia
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Abertura ao domingo cria 4 mil empregos

A abertura dos hipermercados e outras grandes superfícies comerciais ao domingo à tarde permitiria criar quatro mil novos postos de trabalho. A estimativa é da Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED) que quer conquistar o apoio dos consumidores para fazer com que o Governo altere a lei que determina o encerramento daqueles espaços comerciais aos domingos e feriados à tarde.
4 de Maio de 2007 às 00:00
“Numa altura em que a economia portuguesa precisa de reduzir o número de desempregados, a criação de quatro mil novos postos de trabalho é um factor de peso para alterar a lei”, declarou ao Correio da Manhã Luís Vieira e Silva, presidente da APED, referindo-se ao número de pessoas que as 150 lojas nacionais de grande superfície teriam de contratar para assegurar o novo horário de funcionamento.
A associação refere que, por outro lado, se a lei fosse alterada no sentido de proibir a abertura dos supermercados ao domingo estariam em risco perto de seis mil postos de trabalho.
Luís Vieira e Silva está convicto de que os consumidores partilham o desejo da associação de ter as grandes superfícies abertas todos os dias e como tal vai sensibilizá-los para subscreverem um abaixo-assinado que posteriormente será apresentado ao Governo para alterar a lei. Esta petição estará disponível nos espaços comerciais e através da internet na página www.liberte-te.org.
A APED apresenta 12 razões para que o Governo permita a abertura dos híperes aos domingos e feriados durante todo o dia sendo a principal delas o facto de “serem cada vez mais as mulheres que trabalham fora de casa e os homens que partilham a tarefa das compra”. “Ora quando há mais tempo para as compras é precisamente ao fim-de-semana”, adiantou Vieira e Silva.
O sábado e o domingo são responsáveis por quase metade do volume total das vendas da semana em todas as superfícies comerciais, de acordo com a organização.
O comércio tradicional tem sido um acérrimo defensor do fecho das grandes superfícies ao domingo, argumentando que esse encerramento lhes dá uma oportunidade para rentabilizarem o negócio. O mesmo argumento é esgrimido pelo Bloco de Esquerda, que tem um projecto-lei em discussão na Assembleia de República no qual defende o encerramento de todas as grande superfícies durante todo o dia de domingo, com excepção do período natalício. “Essas superfícies são a âncora dos centros comerciais”, considera Alda Macedo, sublinhando que o pequeno comércio precisa do incentivo.
Segundo apurou o Correio da Manhã, o Governo não vai para já fazer qualquer tipo de mudança na legislação. Os responsáveis governamentais estão expectantes em relação ao debate no Parlamento e à posição que será adoptada pelas várias forças políticas. A decisão de liberalizar os horários do comércio ao domingo deve ter um grande consenso partidário, uma vez que diz respeito também às autarquias locais.
SAIBA MAIS
66% é a percentagem de portugueses que, de acordo com um estudo da Universidade Católica, gostaria de ter todas as lojas abertas ao domingo.
68,5% dos portugueses prefere fazer as suas compras nas chamadas lojas de discount, como é o caso das cadeias Lidl e Minipreço, de acordo com uma sondagem da Marktest.
DECRETO-LEI Nº 48/96
É a lei que determina os horários das superfícies comerciais e interdita a abertura dos hipermercados e espaços de maiores dimensões aos domingos e feriados da parte da tarde.
HIPERMERCADO
O termo refere-se a um mercado de grandes dimensões que se distingue dos normais supermercados por ter uma superfície superior aos 2500 metros quadrados.
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