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Correio da Manhã

Economia
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Agências contra turismo

A Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) está contra a interpretação da lei feita pelo Turismo de Portugal no caso Marsans, considerando-a "redutora e errada" e defende que a resposta das autoridades a toda esta situação foi "apressada" e "disparatada".
11 de Julho de 2010 às 00:30
APAVT discorda da interpretação de Luís Patrão, do Turismo de Portugal
APAVT discorda da interpretação de Luís Patrão, do Turismo de Portugal FOTO: direitos reservados

Em causa está o facto de o organismo presidido por Luís Patrão afirmar que o valor da caução devido pelas agências de viagens é de 5% sobre o volume de pacotes turísticos vendidos de produção própria. Para a APAVT, esse valor deve incidir sobre os pacotes vendidos, caso contrário, "apenas os operadores seriam obrigados a prestar caução". Num duro comunicado divulgado ontem, a APAVT acusa as instituições oficiais de estarem a alimentar ruído em torno de toda a questão, lembrando que estas também têm responsabilidades.

"É surpreendente a rapidez de reacção do Turismo de Portugal e da Direcção-Geral do Consumidor", lê-se no documento que adianta que "só por manifesta pressa de dizer algo, mesmo que disparatado," é que se pode sugerir que os consumidores possam accionar também as cauções dos operadores, já que estes também estão a ser prejudicados pelo incumprimento da Marsans.

A APAVT anunciou, ainda, ter desencadeado um processo disciplinar à Marsans com vista a expulsá-la da associação.

VIEIRA DA SILVA CRITICADO

O envolvimento do ministro da Economia, Vieira da Silva, no caso Marsans está a deixar a Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) preocupada, nomeadamente por o governante surgir "quase como um porta-voz" da empresa.

"O sr. Ministro da Economia em todo este processo tem vindo a ser quase como um porta-voz da Marsans ao informar que nos dias x e y os clientes poderão viajar, mas que não se sabe se nos dias w ou z o poderão fazer", lê-se no comunicado da organização.

Na opinião da associação, há "um aproveitamento descarado da Marsans das boas e ingénuas vontades das instituições".

DISCURSO DIRECTO

"HÁ POUCAS HIPÓTESES DE RECUPERAR O DINHEIRO", Elidérico Viegas, Presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve

Correio da Manhã – A desconfiança dos consumidores face às agências de viagens e aos operadores turísticos por causa do caso Marsans pode prejudicar ou beneficiar os hotéis?

Elidérico Viegas – Em Portugal e em Espanha, as pessoas recorrem pouco às agências para marcarem as suas férias no Algarve ou noutros pontos de Portugal, pelo que penso que toda esta situação não terá aqui grande impacto. O mesmo não se pode dizer nas viagens para fora.

– A caução pedida pelas autoridades é suficiente?

– O depósito pedido hoje é menor que o alvará que era obrigatório no passado e que rondava os 100 mil euros para todas as agências de viagens. Em todo o caso, acho que em situações de insolvência o cliente que marca férias no exterior, gastando montantes mais elevados, tem poucas hipóteses de recuperar o dinheiro.

– Os operadores devem compensar o consumidor?

– Não, os operadores também foram prejudicados. A Marsans não lhes pagou e eles vão ter de assumir os compromissos já assumidos com os seus fornecedores.

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