Quando em 2008 a Águas da Nascente abriu falência, o pânico instalou-se na vila de Manteigas, na serra da Estrela. Cem empregados temiam o desemprego, a Banca e os credores arriscavam não mais ver os créditos.
Entre este último grupo, Miguel Paulino teve capacidade para ver além das dificuldades imediatas e, num problema, viu uma oportunidade. Nesse ano comprou a empresa, mudou-lhe o nome, a imagem e implementou um novo modelo de negócio. Quatro anos depois, a Glaciar soma 11 prémios internacionais e é uma das marcas de referência do sector das águas em Portugal e no Mundo, com presença em quatro continentes.
"Percebemos na altura que se tratava de um produto único, já que esta água tem características químicas que não existem em mais lugar nenhum do Mundo, e que poderíamos capitalizar esse factor", afirma Miguel Paulino. Recolhida a 1400 metros de altitude, no vale Glaciar da serra da Estrela, é, segundo um estudo internacional, uma das três menos mineralizadas do Mundo, "o que a torna mais leve", diz.
Um pormenor que faz toda a diferença e que permitiu à empresa entrar no mercado dos produtos gourmet em lojas e restaurantes. "Hoje ter uma garrafa de Glaciar à mesa é sinal de estatuto", refere Miguel Paulino, enquanto segura numa Glaciar Diamond. Uma garrafa de vidro preto que os administradores das mais conceituadas empresas internacionais do ramo desaconselharam, mas na qual o empresário apostou. "Foi um sucesso imediato, contra todas as expectativas", congratula-se o administrador. De resto, "acreditar sempre no produto que se vende é um dos ingredientes fundamentais para o sucesso".
Outro factor determinante para o êxito é a diversificação. Por isso, desde 2011 que a Glaciar passou a engarrafar refrigerantes sem gás e ice tea, para atingir outros segmentos do mercado. Bebidas baseadas numa fórmula original multivitamínica que estão em fase de implementação e que chegarão ao mercado este Verão. Mas os projectos futuros não se ficam por aqui. Miguel Paulino adianta que um dos próximos produtos a lançar pela empresa de Manteigas é a Glaciar Baby, uma água pasteurizada para confeccionar alimentos para bebés que não necessita de ser fervida.
A empresa também quer lançar-se no sector dos sumos orgânicos. Trata-se, diz Paulino, de "um mercado importante e pouco explorado. Vamos procurar parcerias entre os pequenos produtores da região", garante.
Para o empresário, ser referência apenas no mercado português não é suficiente. Por isso, cedo definiu uma estratégia de internacionalização que passou primeiro por chegar ao resto da Europa e à África. Depois, à Ásia e à América. Neste momento, a empresa começa a entrar na China e também nos Estados Unidos, "onde o mercado é muito mais exigente".
Com escritórios em Luanda, Londres, Frankfurt, Hong Kong e Nova York, 30% da facturação da Glaciar resulta das exportações. Para Miguel Paulino, o objectivo "é duplicar esse valor ainda este ano". Acredita que a aposta no estrangeiro fará disparar o volume de negócios dos 8,4 milhões de euros de 2011 para os 12 milhões já este ano, e para os 24 milhões até 2014.
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