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Correio da Manhã

Economia
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Alemanha propõe comissário europeu para controlar Grécia

O governo alemão confirmou esta segunda-feira a existência de propostas para nomear um comissário europeu que controle o orçamento da Grécia, sublinhando, porém que os respectivos debates "estão ainda a um nível de trabalho abstracto", no âmbito do eurogrupo.
30 de Janeiro de 2012 às 11:49
O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble
O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble FOTO: DR

"Há um país onde a aplicação do programa de ajustamento financeiro está a decorrer com dificuldades, que é a Grécia, e o objectivo é ver o que se deve fazer se essa situação se prolongar durante muito tempo", disse em Berlim o porta-voz do ministério das Finanças germânico, Martin Kotthaus.

"Trata-se de exercer um maior controlo e uma maior supervisão orçamental" sobre a aplicação dos programas de ajustamento negociados por Atenas com a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI), em troca do empréstimo de 110 mil milhões de euros concedido em 2010, esclareceu o mesmo responsável.

O porta-voz alemão desmentiu, no entanto, que haja quaisquer planos para forçar a Grécia a sair da moeda única, garantindo que enquanto Atenas quiser aplicar os programas de austeridade que assumiu perante os parceiros internacionais "terá todo o apoio possível".

As notícias sobre a eventual nomeação de um comissário europeu para fiscalizar as contas gregas provocou, entretanto, duras reacções de protesto por parte do governo de Atenas.

"Quem põe um povo perante um dilema entre a ajuda financeira e a dignidade nacional, ignora as lições históricas fundamentais", advertiu o ministro das finanças grego, Evangelos Venizelos.

O porta-voz do seu homólogo alemão, Wolfgang Schäuble, além de tentar atenuar o impacto das revelações publicadas no sábado pelo jornal britânico Financial Times, recusou-se também, no 'briefing' que manteve hoje em Berlim, a comentar notícias de que o segundo resgate à Grécia, de 130 mil milhões de euros, terá de ser aumentado para cerca de 145 mil milhões de euros, o que implicaria subir as contribuições dos países da zona euro que participam no mesmo.

"O que está agora em causa é a reestruturação da dívida grega, através das negociações com os credores privados, que devem recomeçar em breve, para baixar o seu volume em relação ao Produto Interno Bruto para 120 por cento, até 2020, e não o aumento da contribuição com dinheiros públicos para o novo resgate", sublinhou o porta-voz do ministro das finanças alemão.

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