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Correio da Manhã

Economia
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ALGARVE CONTRA PORTAGENS

Uma grande acção cívica de protesto em todo o Algarve com a participação maciça dos algarvios, a decorrer na primeira quinzena de Novembro, em protesto contra a implementação de portagens na Via do Infante (VI) foi ontem anunciada, em conferência de imprensa, pelas associações empresarias do Algarve (ACRAL, AHETA, AIHSA, CEAL e NERA) em conjunto com a Região de Turismo do Algarve, o presidente e vice-presidente da Junta Metropolitana do Algarve (AMAL), Macário Correia e Francisco Leal, respectivamente.
12 de Outubro de 2004 às 00:00
“ Irá ser uma acção cívica mobilizadora de massas, com grande envolvência da população que, de forma ordeira e dentro da legalidade, irá mostrar a revolta dos algarvios contra a anunciada intenção do Governo em impor portagens na Via do Infante”, explica Macário Correia, presidente da AMAL, que quer esgotar todas as possibilidades de diálogo: “Vamos constituir um núcleo coordenador das iniciativas contra as portagens na VI que integre todas as associações, instituições cívicas e políticas e ainda os cidadãos que queiram participar”, afirma o representante dos autarcas algarvios, que tem já medidas bem definidas: “ Já solicitámos audiências ao Presidente da República, a membros do Governo e aos grupos parlamentares e vamos efectuar sessões públicas de esclarecimento e mobilização dos algarvios, bem como estudar a eventualidade de contestar no plano legal e constitucional a introdução das portagens, na defesa do interesse público e no respeito pelos direitos adquiridos”, afirmou.
O presidente da AMAL faz questão em salientar que “ metade da VI já está paga e foi assumido pelo poder político que o restante seria sem portagens”, afirmou Macário Correia, que recorda outros argumentos: “A EN 125 não é alternativa. É uma rua que atravessa 12 dos 16 municípios algarvios na maioria da sua extensão em perímetros urbanos”, afirma.
Uma recente reunião com o Ministro das Obras Públicas não deixou Macário Correia satisfeito: “O Ministro preparou-se mal e anunciou 240 milhões de euros para melhorias rodoviárias, só que noventa por cento dessa verba não era para aplicar na EN 125, pelo que não resolvia o problema desta via”, concluiu o autarca.
'INSASATEZ DO GOVERNO'
Os representantes das associações empresariais do Algarve e o presidente da Grande Área Metropolitana do Algarve (AMAL), que ontem se apresentaram em conferência de imprensa manifestando o seu descontentamento contra a implementação de portagens na Via do Infante, são, na sua maioria, membros no Partido Social Democrata. Uma das vozes mais acutilantes foi a de Cabrita Neto, antigo Governador Civil do Distrito de Faro, nos governos de Cavaco Silva. “ É uma insensatez enorme do actual Governo. Em Lagoa, há três anos, o actual primeiro-ministro afirmou que a Via do Infante é uma infra-estrutura fundamental para o Algarve e nunca será admissível ter portagens, pelo que não se percebe esta mudança de opinião”, afirma o presidente da Associação dos Industriais, Hoteleiros e Similares do Algarve, que não tem dúvidas quanto aos prejuízos para a região desta medida: “ A Via do Infante diminuiu a sinistralidade na EN 125 e não há dinheiro que pague mortes”, afirma Cabrita Neto que espera o recuo dos governantes: “ O Governo ainda nem fez as contas para implementar tal medida. Está tudo a ser feito no ar, pelo que julgo que não vai ser necessário tomarmos medidas drásticas, mas se for preciso os algarvios darão a resposta adequada”, garante.
OUTRAS REGIÕES
VISEU
A Associação Empresarial da Região de Viseu pediu aos deputados e autarcas do distrito para que influenciem o Governo a não cobrar portagens no IP5.
MAÇÃO
O edil de Mação exigiu ontem explicações ao Governo sobre as portagens na A23.
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