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Correio da Manhã

Economia
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Ano novo, vida mais cara

Com a entrada no novo ano, o poder de compra dos portugueses volta a cair. A maioria dos preços aumenta acima dos dois por cento, enquanto os salários crescem apenas 1,5 por cento, tendo como referência o aumento para a Função Pública. Transportes, combustíveis, portagens, electricidade, pão e tabaco são apenas alguns dos produtos que vão encarecer em 2006.
31 de Dezembro de 2005 às 00:00
Já a partir das zero horas de amanhã, as portagens ficam mais caras. A portagem da Ponte 25 de Abril sobe 4,3 por cento e a da Ponte Vasco da Gama 5 por cento, na classe 1. Significa que um veículo ligeiro de passageiros passa a pagar 1,2 euros na 25 de Abril (mais cinco cêntimos) e 2,1 euros na Vasco da Gama (mais um cêntimo). Na classe 4 (veículos pesados), os aumentos vão ser de 20 cêntimos na Ponte 25 de Abril (para 5,6 euros) e de 30 cêntimos (para 9,55 euros) na Ponte Vasco da Gama.
Também nas auto-estradas as portagens sobem, em geral, 2,8 por cento. O agravamento do preço dos combustíveis será o maior desde 2000, resultando da subida anual extraordinária do imposto sobre os combustíveis, de 2,5 cêntimos por litro, e da inflação prevista, de 2,3 por cento. Na prática, o litro da gasolina sobe 4 cêntimos e o do gasóleo 3,2 cêntimos.
Os transportes públicos vão ficar mais caros 2,3 por cento no domingo, na linha da inflação prevista pelo Governo para 2006. Também o Imposto Automóvel sofre um agravamento de 2,3 por cento, encarecendo o preço dos carros. Porém, a fórmula de cálculo do imposto deverá ser alterada em Julho.
Quanto à electricidade, os clientes domésticos vão pagar mais 2,3 por cento e as empresas 8,9 por cento. As actualizações tarifárias eram trimestrais, mas os novos aumentos deverão ocorrer apenas no dia 1 de Janeiro, estando prevista uma revisão legislativa nos próximos meses.
Para enfrentar a subida do preço dos combustíveis, a alimentação também vai ficar mais cara. É esperado, por exemplo, um aumento de dez por cento no preço do pão e nos produtos de pastelaria. Fumar é cada vez mais um luxo, pois o preço do tabaco sobe 35 cêntimos, com algumas marcas a chegarem quase aos 3 euros o maço.
ESPERADO AUMENTO DOS JUROS
As prestações mensais dos empréstimos bancários para a compra de habitação começaram a subir no segundo semestre deste ano. Subida que vai continuar em 2006, de acordo com a generalidade dos economistas e operadores dos mercados de capitais. No dia 1 deste mês, a autoridade monetária europeia fixou a taxa de juro directora da Eurolândia em 2,25 por cento, mais 25 pontos de base.
Embora o presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, tivesse dito, então, que o encarecimento do dinheiro seria feito de forma moderada, a instituição financeira suíça UBS espera que a taxa de juro de referência da zona do euro atinja os três por cento até Setembro de 2006. A casa de investimento norte-americana Merrill Lynch antevê a mencionada taxa em 3,5 por cento até ao fim de 2006. Tanto a UBS como a Merrill Lynch justificam tais percentagens de crescimento com as pressões inflacionistas.
INDICADORES
SALÁRIO MÍNIMO
O valor do Salário Mínimo Nacional vai passar para 385,9 euros, a partir de domingo, com a actualização de 3 por cento. O novo valor traduz um aumento de 11,2 euros face ao actual. Segundo o primeiro-ministro, José Sócrates, este aumento representa a maior subida dos últimos anos, depois de três anos consecutivos com actualizações de 2,5 por cento.
RENDAS ALTAS
As rendas vão subir 2,1 por cento em 2006. A fixação do coeficiente (1,021) destinado a determinar o aumento dos contratos de arrendamento foi publicado em Diário da República (Aviso 8457/2005) em Outubro. Este valor vale como referência para a actualização dos diversos tipos de arrendamento.
PENSÕES
As pensões do Estado (Caixa Geral de Aposentações) até mil euros terão um aumento de 2,5 por cento em 2006, as pensões entre os mil e os 3500 euros uma actualização de 1,5 por cento e as superiores a 3500 euros ficam congeladas. No regime geral, as pensões mínimas aumentam entre 3 e 10,6 por cento, dependendo dos anos de contribuições, e as restantes sobem 2,3 por cento.
ENDIVIDAMENTO
Em 2004, o endividamento das famílias representava 118 por cento do seu rendimento disponível, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE). O Índice de Preços no Consumidor aumentou nesse ano 2,4 por cento, com os maiores aumentos anuais a registarem-se no sector da educação (9,3 por cento) e restaurantes e hóteis (4,6 por cento). Os preços no vestuário e calçado bem como as comunicações desceram.
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