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Correio da Manhã

Economia
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Antigos trabalhadores do Finibanco protestam

Várias dezenas de antigos trabalhadores do Finibanco, agora no Montepio Geral, manifestaram-se esta segunda-feira diante dos serviços da caixa económica no Porto contra a transferência para Lisboa, dando início a uma greve sem fim previsto.
5 de Dezembro de 2011 às 13:08
Antigos trabalhadores do Finibanco em protesto
Antigos trabalhadores do Finibanco em protesto FOTO: Miguel Baltazar/Jornal de Negócios

Segundo o presidente do Sindicato dos Bancários do Norte (SBN), Mário Mourão, estão a ser preparadas acções judiciais contra a transferência dos antigos funcionários do Finibanco, que foi adquirido em Julho de 2010 pelo Montepio Geral, tendo decidido mudar para Lisboa os mais de 200 trabalhadores pertencentes aos serviços centrais do Finibanco, no Porto e em Rio Meão. 

O processo tem vindo a ser efectuado de forma faseada, apesar dos protestos dos sindicatos, sendo que hoje, segundo Mário Mourão, 15 trabalhadores tinham que se ter apresentado em Lisboa, enquanto mais de 20 têm como data para se mostrarem ao serviço o próximo dia 12 de Dezembro.  

"Recebi uma carta para me apresentar hoje em Lisboa, uma vez que o serviço que estava a desempenhar em Rio Meão foi deslocado para Lisboa e, portanto, era essa a alternativa que eu tinha. Ou essa ou a rescisão", disse aos jornalistas Jorge Macedo, há mais de 39 anos na banca e residente no Porto há cerca de 50.  

Dos 15 trabalhadores que hoje tinham que se apresentar em Lisboa, segundo Mário Mourão, só dois ou três é que compareceram no seu novo local de trabalho, que coincidiu com o começo de uma greve que vai decorrer "até que o Montepio se sente à mesa para negociar este processo", havendo também a possibilidade de uma providência cautelar.  

"Houve trabalhadores que se deviam ter apresentado no mês passado. O Montepio está a fazer isto dividindo e de forma a que os trabalhadores não tenham possibilidade de se juntar na luta e na defesa dos seus interesses", explicou o presidente do SBN.  

Jorge Macedo inverte os papéis: "O que é que os trabalhadores do Montepio Lisboa fariam se a administração do Montepio, por razões de economicidade, decidisse pôr os serviços centrais em Bragança ou em Madrid ou aqui no Porto?" 

De acordo com o agora funcionário do Montepio, "é um precedente muito grave que se abre em termos da banca, que permite a toda à banca e às seguradoras que quando quiserem despedir muitos trabalhadores que têm em carteira basta mudar a sede social e os trabalhadores são obrigados a irem".  

Em Setembro, o presidente da caixa económica, Tomás Correia, afirmou que "caso os funcionários não se apresentem em Lisboa, aplicam-se as normas decorrentes do contrato de trabalho. Isto significa que têm de se apresentar, senão têm de conversar com a instituição em ordem a encontrar uma solução que permita resolver os interesses da instituição e deles próprios".  

Na altura, fonte oficial do Montepio explicou à Lusa que "a transferência deve-se ao facto - desde sempre comunicado aos colaboradores que integravam o Finibanco - de ser necessário integrar as equipas e responder às necessidades orgânicas e operacionais da instituição".  

O Acordo Colectivo de Trabalho do Sector Bancário esclarece que uma instituição "pode transferir o trabalhador para outro local de trabalho dentro da mesma localidade ou para qualquer localidade do concelho onde resida", mas isso não pode ocorrer para outro concelho "se essa transferência causar prejuízo sério ao trabalhador, salvo se a transferência resultar da mudança total ou parcial do estabelecimento onde aquela presta serviço". 

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