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Correio da Manhã

Economia
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António Borges: Liberal, polémico e convicto

António Borges atingiu o topo lá fora. Por cá, dividiu opiniões e gerou controvérsia
26 de Agosto de 2013 às 01:00
A missa de corpo presente do economista realiza-se hoje às 11h00, na Basílica da Estrela
A missa de corpo presente do economista realiza-se hoje às 11h00, na Basílica da Estrela FOTO: Miguel A. Lopes/lusa

Quase todos lhe reconhecem o mérito profissional, mas nem todos ficaram indiferentes às posições fraturantes que António Borges assumia. O economista faleceu ontem no Hospital da Cruz Vermelha, aos 63 anos, vítima de cancro no pâncreas. A missa de corpo presente realiza se hoje na Basílica da Estrela, seguindo o funeral para o Cemitério do Alto de S. João, Lisboa.

Nos três anos em que lidou com a doença António Borges não parou de trabalhar. Entre os adjetivos para o descrever há um que ganha peso: frontalidade. E foi essa postura que lhe valeu críticas. Indiferente às vozes que o apontavam como liberal e corrosivo, não se coibiu de dizer que "o ideal era que os salários descessem" e de apelidar de "ignorantes" os empresários que contestaram a subida da TSU.

Nascido no Porto em 1949, ganhou notoriedade no estrangeiro, onde ocupou altos cargos. Em 1988 chegou à capa da ‘Fortune’. Após licenciar-se em Economia pelo antigo ISCEF, rumou aos EUA para se doutorar em Economia. Chegou a reitor da escola de negócios Insead, passou pelo Banco de Portugal, foi vice-presidente do Goldman Sachs e consultor do Tesouro dos EUA e da OCDE. Em 2010, Strauss-Kahn convidou-o para ser diretor do FMI. Ontem, várias personalidades estiveram no velório, na Basílica da Estrela. O primeiro-ministro admitiu que encontrou recentemente António Borges e que teve "uma sensação de despedida". Passos Coelho descreveu-o como "um homem que olhou o País com otimismo e que acreditou sempre ser possível vencer [a crise]". Já o ex-ministro Miguel Relvas lembrou-o como "um homem que se tornou inconveniente e muitas vezes incompreendido". Em silêncio, Vítor Gaspar, de quem Borges foi professor, foi o mais emocionado.

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