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Correio da Manhã

Economia
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António Costa diz que congelamento das rendas de Berlim não é solução para Lisboa

"Há outras ferramentas" para colmatar a subida nas rendas, avançou o primeiro-ministro.
Jornal de Negócios 13 de Fevereiro de 2020 às 10:14
António Costa
António Costa

O primeiro-ministro português, António Costa, considera que um congelamento das rendas semelhante àquele que foi recentemente adotado em Berlim não beneficiaria a capital lusa.

"Tivemos esta experiência de congelamento das rendas durante 40 anos e é uma solução muito má para a preservação e renovação da cidade", declarou Costa, numa entrevista à Bloomberg. Apesar de conceder que para Berlim esta medida possa servir, sublinha que "existem outras ferramentas".

O Governo português optou por eliminar o regime de vistos gold em Lisboa e no Porto. Desde 2012, quando foram criados estes vistos, os investidores já aplicaram 4,5 mil milhões de euros em imóveis no país, com os chineses a liderarem as compras.

"Isto é uma matéria sensível", disse Costa, assinalando que existem diferenças entre congelar por quatro anos ou 40, e que Lisboa passou muito rapidamente de um mercado marcadamente regulado para um mercado completamente liberalizado.

Na visão do primeiro-ministro, "temos de dar confiança aos proprietários" e "temos de entender o que se passa" no mercado. E conclui: "com as taxas de juro tão baixas, o imobiliário tem sido um refúgio para os investidores" tornando este um "problema global".

Em Berlim, a legislação que congela as rendas foi aprovada em janeiro e o objetivo é baixar os encargos para os arrendatários numa altura em que a população na cidade está a subir e o influxo de investidores imobiliários está a reduzir o número de casas acessíveis disponíveis. A oposição prometeu desafiar a decisão na justiça, mas o que está previsto é que o congelamento entre em vigor no final do mês.

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