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Correio da Manhã

Economia
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Apoio abaixo do limiar da pobreza

Mais de cem mil desempregados recebem subsídio social inferior a 354 euros. Governo corta na duração dos estágios profissionais para poupar.
13 de Agosto de 2010 às 00:30
Apoio abaixo do limiar da pobreza
Apoio abaixo do limiar da pobreza FOTO: DR

Mais de cem mil portugueses com subsídio de desemprego recebem um apoio que está abaixo do limiar da pobreza. São 111 mil indivíduos sem trabalho que estão a receber, em média, menos de 354 euros por mês.

Os números do ministério de Helena André, revelam que, dos 355 mil beneficiários do subsídio de desemprego no mês de Julho, havia 111 502 portugueses com diferentes tipos de subsídio social, que recebiam, em média, entre 299 e 343 euros por mês (ver gráfico). Isto significa que quase um terço das pessoas no subsídio de desemprego recebe menos do que aquilo que é definido como o limiar da pobreza: 354 euros. Assim sendo, só 245 mil desempregados recebem em média 523 euros por mês de subsídio, de um universo total de 643 mil inscritos nos centros de emprego.

O Governo introduziu no início do mês uma série de alterações nos apoios sociais onde se prevê a obrigatoriedade de aceitar um trabalho que pague um salário superior a dez por cento do valor do subsídio durante doze meses.

Os estágios profissionais também foram reduzidos, ao passarem de doze para nove meses, como confirma a portaria ontem publicada em Diário da República, precisamente no Dia Mundial da Juventude. O secretário de Estado do Emprego, Valter Lemos, admitiu à Lusa que esta redução "pode ser uma desvantagem", mas defende--se com o facto de o número de estágios ter aumentado, dando lugar a mais cinco mil jovens. Fora deste programa de estágios ficam os médicos e enfermeiros, mas por outro lado passam a poder participar estagiários candidatos às autarquias locais. O Governo estima poupar 90 milhões de euros este ano e 199 milhões de euros em 2011 nos apoios sociais, mas até 2013 a expectativa é de que o corte nas despesas sociais atinja os 2,3 mil milhões de euros. O Executivo garante que as alterações introduzem mais rigor e "vêm trazer mais justiça".

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