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Correio da Manhã

Economia
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Apoio ao Novo Banco pesa no défice de 2018

Previsão de Bruxelas aponta para défice superior ao estimado este ano pelo Governo.
Beatriz Ferreira 4 de Maio de 2018 às 08:31
O ministro Mário Centeno (à dir.) e o secretário de Estado Mourinho Félix
Novo Banco
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O ministro Mário Centeno (à dir.) e o secretário de Estado Mourinho Félix
Novo Banco
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O ministro Mário Centeno (à dir.) e o secretário de Estado Mourinho Félix
Novo Banco
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Novo Banco
A injeção de verbas no Novo Banco vai pesar 0,4% do PIB no défice deste ano. A previsão consta no relatório da primavera da Comissão Europeia, que aponta para um défice de 0,9% do PIB em 2018 - acima dos 0,7% previstos no Programa de Estabilidade - devido ao apoio dado ao Fundo de Resolução para reforço do capital do Novo Banco.

As previsões de Bruxelas são, assim, menos otimistas do que as do Executivo. A comissão sublinha que se não fosse a "ativação do mecanismo de capital contingente do Novo Banco", o défice deste ano ficar-se-ia nos 0,5%. O Novo Banco vai receber 792 milhões de euros por via do Fundo de Resolução, 450 milhões dos quais financiados pelo Estado.

Bruxelas não afasta, contudo, a hipótese de o Tesouro vir a disponibilizar mais dinheiro à Banca. "Os riscos sobre as previsões orçamentais são negativos, devido à incerteza em torno do cenário macroeconómico e ao impacto potencialmente negativo no défice das medidas de apoio ao setor bancário."

Questionado sobre a que medidas se refere a Comissão, Pierre Moscovici, responsável pela pasta dos Assuntos Económicos, não respondeu.

O défice de 2019 estimado pela Comissão Europeia ficará nos 0,6% (o Executivo previa 0,2%) e a economia do País só deverá crescer 2% nesse ano, menos do que os 2,3% previsto pelo Governo.

Rui Rio fala em "má notícia" de Bruxelas    
As conclusões de Bruxelas não agradam à oposição, com Rui Rio a exigir que o Governo baixe o défice "todos os anos um bocado". "No que concerne ao défice, se assim for, é uma má notícia, porque o défice público foi de 0,9% em 2017. Aquilo que se impõe é que em 2018 seja um défice menor e em 2019 ainda menos", disse ontem o líder do PSD.

Visão diferente tem o Presidente da República, para quem as previsões de Bruxelas são "muito boa notícia", dado virem de uma instituição "muito conservadora".
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