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Correio da Manhã

Economia
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Apoio aumenta dívida do País

O eventual empréstimo conjunto dos países da Zona Euro à Grécia, em que Portugal terá de entrar com uma participação na ordem dos 775 milhões de euros, poderá desencadear o aumento da dívida pública portuguesa. Ainda assim, a ajuda financeira a Atenas não aumentará o défice.
13 de Abril de 2010 às 00:30
Diplomatas gregos penduraram bandeiras negras
Diplomatas gregos penduraram bandeiras negras FOTO: Katerina Mavrona/EPA

O ex-ministro das Finanças Eduardo Catroga confirmou ao CM que, "contabilisticamente, a ajuda à Grécia não vai mexer no défice público" do País, já que "será um empréstimo sob a forma de obrigações do Tesouro grego". "Vai é aumentar a dívida pública de Portugal", sublinhou o economista.

Vítor Bento, presidente da SIBS, faz a mesma análise dos encargos que o empréstimo terá para o País, mas sublinha que, "na medida em que está garantida a solvabilidade do Estado grego, não é dinheiro perdido". E lembra que "se nos excluíssemos de uma solução destas estaríamos a revelar uma fragilidade nossa".

Os primeiros efeitos da aprovação do plano de apoio à Grécia pela União Europeia sentiram-se nos mercados bolsistas (com Wall Street a regressar aos 11 mil pontos) e nos juros da dívida pública grega a 10 anos, que caíram 50 pontos.

Em protesto contra o plano de austeridade do governo grego, os diplomatas helénicos colocaram ontem bandeiras negras no Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Num debate sobre o financiamento da economia portuguesa, no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), Vítor Bento defendeu ontem que entre cortar os salários e os preços, num cenário deflacionista, é preferível "uma segunda via, que passe por uma deflação relativa, ou seja, estabilizar os preços e esperar que esses mesmos subam nos países mais competitivos".

O economista João Cantiga Esteves destacou por sua vez que "é necessário alterar o paradigma do endividamento para o consumo e passarmos para um paradigma de poupança".

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