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Correio da Manhã

Economia
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AR deixa deputada depor em tribunal

Ana Paula Vitorino não respondeu a Carlos Alexandre e desconhece-se se fará um testemunho presencial ou por escrito. Lino e Luís Pardal presentes.
12 de Janeiro de 2011 às 00:30
Ana Paula Vitorino, ex-secretária de Estado dos Transportes, é testemunha de Armando Vara
Ana Paula Vitorino, ex-secretária de Estado dos Transportes, é testemunha de Armando Vara FOTO: Duarte Roriz

Ana Paula Vitorino foi autorizada pela Assembleia da República a prestar esclarecimentos ao tribunal no âmbito do processo ‘Face Oculta'. Anteontem, o juiz Carlos Alexandre pediu à AR que explicasse se a deputada poderia depor - atendendo a que a mesma ainda não disse se iria ou não estar presente na diligência -, ao que a Comissão de Ética garantiu que poderia acontecer, já que a autorização dada na fase de inquérito mantinha toda a validade. Poderá fazê-lo presencialmente ou por escrito.

A audição de Ana Paula Vitorino está marcada para as 09h30, à mesma hora do que as de Mário Lino e Luís Pardal. Os três deverão ser confrontados com o mesmo assunto, designadamente se Vara usou a sua influência para que Manuel Godinho fosse beneficiado nos contratos com a Refer.

As versões não são coincidentes. Ana Paula Vitorino, que depôs por escrito dias antes de a acusação ser deduzida, assegurou que Mário Lino, enquanto ministro da tutela, lhe pediu para que a Refer beneficiasse Godinho. Segundo a ex-secretária de Estado, o então ministro falou-lhe de amigos influentes do PS que haviam feito tal pedido, dando também a ideia de que ajudar o sucateiro era bem visto no partido. Vitorino contou ainda que Pardal chegou a ser chamado ao ministro, tendo sido "convidado" a reunir-se com Manuel Godinho. Ana Paula Vitorino era contra.

Na fase de inquérito, Pardal não confirmou as declarações da agora deputada e Mário Lino também a desmentiu.

SARAMAGO LEVA TESTEMUNHAS

Jorge Saramago, arguido no processo ‘Face Oculta', esteve ontem presente na instrução do processo. O réu tem vindo a transportar as testemunhas enquanto funcionário da O2, propriedade de Manuel Godinho, o que o levou nos últimos dois dias a assistir aos depoimentos das testemunhas arroladas por outros réus.

Também Pedro Laranjeira, funcionário da O2, esteve ontem no Tribunal Central de Instrução Criminal, mas não assistiu à inquirição das suas testemunhas para evitar ser fotografo pelos jornalistas.

Na sessão de ontem, trabalhadores da empresa de sucata de Ovar garantiram que a desmontagem das subestações da REN cumpriu todos os procedimentos, não tendo sido desviado qualquer material. Garantiram também que a REN controlava todo o processo.

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