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Correio da Manhã

Economia
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“Assumo-me como a pílula do dia seguinte do negócio”

Henrique Granadeiro disse na Comissão de Inquérito, que decorre esta sexta-feira no Parlamento, que se Zeinal Bava foi o “pai” do negócio entra a PT e a Prisa ele se assume “como a pílula do dia seguinte”.
30 de Abril de 2010 às 18:36
Henrique Granadeiro
Henrique Granadeiro FOTO: Miguel Baltazar / Jornal de Negócios

Granadeiro fez questão de sublinhar por diversas vezes que se opôs ao negócio, porque se ele tivesse sido feito “a PT era o bombo da festa da campanha eleitoral”, disse.

O presidente do Conselho de Administração da PT, diz que conheceu Rui Pedro Soares em Outubro de 2004, quando entrou na comissão executiva da PT Multimédia (hoje Zon), onde este era assessor.

O ‘chairman’ da PT revelou ainda desconhecer a ligação de amizade de Rui Pedro Soares com Mário Lino ou José Sócrates. “Rui Pedro Soares nunca me disse que era amigo de Mário Lino ou de José Sócrates. E Mário Lino nunca me disse que era amigo de Rui Pedro Soares e o primeiro-ministro nunca me disse que era amigo de Rui Pedro Soares”. 

Granadeiro disse ainda que “José Sócrates deve ter hoje 50 vezes mais amigos do que tinha antes de ir para o Governo”, da mesma maneira que o próprio Granadeiro deve “ter hoje 30 vezes mais amigos do que tinha antes de entrar na PT”. 

Questionado pelo deputado do PCP João Oliveira, Granadeiro revelou ainda que foi convidado pelo BES, CGD e outros accionistas para assumir a liderança da PT.

“Não podia ser proposto para presidente do Conselho de Administração se não tivesse o acordo muito claro do BES e da CGD e se não tivessem eles obtido a não oposição do Estado à minha nomeação”, disse. 

Sobre o negócio com a TVI sublinha que não tem “dúvida nenhuma que as coisas começaram no dia 19 de Junho”, tal como Zeinal Bava lhe referiu. Sobre o envolvimento de Rui Pedro Soares nas negociações, Granadeiro referiu que desconhecia por completo. 

“Provavelmente só soube quando se levantou este problema. Em Fevereiro”. Ou seja, oito meses depois do início foram das negociações. “Os administradores executivos não reportam a mim nem recebem de mim qualquer instrução. Sé me relaciono com o presidente da comissão executiva [Zeinal Bava]”.

"NÃO COMPREENDI O QUE O LINO ESTAVA A DIZER"

Henrique Granadeiro afirmou na comissão de inquérito que quando informou José Sócrates sobre o negócio entre a PT e a TVI, num jantar em casa do antigo ministro Manuel Pinho na noite de 25 de Junho, lhe disse que “o negócio não ia para a frente”. 

 

Nesse sentido, Granadeiro diz não ter percebido o ministro Mário Lino, que na manhã seguinte o chamou ao ministério das Obras Públicas para comunicar que o Governo era contra o negócio. “Disse a Mário Lino que não compreendia o que ele estava a dizer, porque tínhamos decidido não avançar com o negócio”, diz Granadeiro. 

 

Da mesma forma, Granadeiro afirma ter ficado “surpreendido” quando ouviu o primeiro-ministro no dia 26 a declarar que era contra o negócio. 

 

O ‘chairman’ da PT diz ainda que pouco tempo depois o ministro Mário Lino, numa intervenção pública, referiu que o Governo era contra, mas que a PT podia voltar ao negócio depois das eleições [27 de Setembro]. “Disse ao ministro que quem falava pela PT era eu”.

 

CASO TAGUSPARK "SURPREENDEU GRANADEIRO"

Henrique Granadeiro disse desconhecer o caso Taguspark até que foi a tribunal, na qualidade de testemunha. “Surpreendeu-me imenso”, disse. “Deram-me a ler um papel com a montagem do negócio. Fiquei o mais surpreendido possível”, disse Granadeiro, acrescentando que a PT se constituiu como assistente do processo.

“Vamos ver se alguém abusou da PT”, disse Granadeiro. “Se alguém usou viagens pagas pela PT para outro fim isso é fraude”, afirmou, referindo-se a viagens de Rui Pedro Soares a Madrid.

 

"PRIMEIRA E ÚNICA VEZ QUE FALEI COM SÓCRATES FOI NO DIA 25" 

Henrique Granadeiro disse que a “primeira e única vez” que falou com José Sócrates sobre o negócio PT\TVI foi na noite de 25 de Junho, num jantar em casa do ex-ministro Manuel Pinho. “Informei-o no dia 25 à noite que não tínhamos avançado com projecto de aquisição”, disse, acrescentando que Sócrates “não fez nenhuma critica ou observação. Não fez nenhuma apreciação de ordem valorativa”.

Sobre as declarações de José Sócrates, na véspera, quando disse que não conhecia o negócio no Parlamento, Granadeiro disse que “não tinha” falado com o primeiro-ministro sobre o assunto. O ‘chairman’ da PT afirma ainda ter ficado “surpreendido” quando ouviu o primeiro-ministro, no dia 26, a declarar que era contra o negócio.

Henrique Granadeiro recusou ainda a ideia de que possa ter utilizado Rui Pedro Soares para comunicar com o Governo. "Nunca usei Rui Pedro Soares como pombo correio para enviar mensagens ou para me trazer mensagens".

Questionado pelo PS se existiram pressões externas à PT para não avançar com o negócio, Henrique Granadeiro foi claro: “Houve uma santa aliança contra este negócio”, disse, referindo declarações de Francisco Louça, “disse que a participação que íamos comprar valia 80 milhões e que estávamos a comprar por 150 milhões”, de Manuela Ferreira Leite, do Presidente da República e do próprio José Sócrates que teve uma ”intervenção intempestiva” contra a aquisição.

Sobre as declarações de Cavaco Silva disse: "Não podíamos deixar de responder àquilo que o Presidente da República tinha dito. Aquilo é que é realmente uma ordem", disse.

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