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Correio da Manhã

Economia

Aumenta número de portugueses no limiar da pobreza

Quase 20% dos portugueses em risco de pobreza.
24 de Março de 2014 às 20:44
Instituto da Segurança Social, problema informático, salários, funcionários, pagamento, Segurança Social
Instituto da Segurança Social, problema informático, salários, funcionários, pagamento, Segurança Social FOTO: Pedro Catarino

O número de portugueses em risco de pobreza aumentou entre 2011 e 2012, atingindo 18,7% da população, ou seja, quase dois milhões de pessoas, um valor que poderia aumentar para quase 50% se não existissem transferências sociais. Os dados constam do mais recente Inquérito às Condições de Vida e Rendimento (EU-SILC) do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgados hoje e que mostram que em 2012 18,7% da população portuguesa estava em risco de pobreza, mais oito pontos percentuais do que em 2011.

Luís Montenegro admitiu que "o ano de 2012 foi um ano muito duro para a vida do país. Foi o ano em que implementámos medidas restritivas, que tiveram consequência na atividade económica e do ponto de vista social, houve aumento do número de desempregados, e naturalmente isso fez-se sentir em toda a sociedade e na vida quotidiana de muitos portugueses e muitas famílias". O líder parlamentar do PSD falava aos jornalistas em Viseu, à margem das jornadas parlamentares da bancada social-democrata.

O PSD frisa que, numa "análise mais aprofundada", é assinalada a "proteção de rendimentos mais baixos e das pessoas com maior idade", o que "não é obra do acaso". Tal resulta, advoga Luís Montenegro, do descongelamento do Governo PSD/CDS-PP do "aumento das pensões mínimas que estavam congeladas desde o governo anterior".

"Estamos em crer que a recuperação que assistimos a partir do primeiro trimestre de 2013 vai acentuar o que temos dito", disse ainda o líder da bancada social-democrata, acreditando que os dados hoje revelados pelo INE serão atenuados já nos números de 2013.

Por seu turno, o dirigente do PS, Vieira da Silva, afirmou que "estes indicadores não são apenas um alerta. São a confirmação de uma intensa e profunda degradação das condições de equilíbrio e coesão social e são fruto de um caminho errado, da austeridade reforçada, em dobro".

O deputado, membro da Comissão Política Nacional do PS reagia em conferência de imprensa na sede socialista, aos dados do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento, do INE, sublinhando que os indicadores mostram não só o aumento do número de pessoas em situação de pobreza mas também um agravamento da "intensidade da pobreza", agravando-se também as situações de "privação material severa que atinge um valor de 11 por cento da população portuguesa".

O dirigente do PS afirmou que a única solução para este problema é a aposta no crescimento. "Só recuperando a economia portuguesa é que podemos ter a expectativa de que indicadores como estes [dados do INE] possam ser revertidos e também que um governo da República tenha uma atenção que não tem tido àqueles mais frágeis da sociedade portuguesa".

Segundo o INE, a taxa de risco de pobreza corresponde à proporção da população cujo rendimento equivalente se encontra abaixo da linha da pobreza, definida como 60% do rendimento mediano por adulto equivalente, que passou de 416 euros em 2011 para 409 euros em 2012.

No entanto, se fossem tidos em conta apenas os rendimentos do trabalho, de capital e transferências privadas, a percentagem de portugueses em risco de pobreza passaria dos 18,7% para 46,9%, ou seja, cerca de 4,9 milhões de pessoas

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