Barra Cofina

Correio da Manhã

Economia
8

Autoeuropa bloqueada à espera de eleições

Com o novo horário, funcionários só têm um fim de semana livre a cada seis semanas.
Sofia Garcia e Raquel Oliveira 31 de Agosto de 2017 às 01:30
Trabalhadores em greve na Autoeuropa
Trabalhadores em greve na Autoeuropa
Trabalhadores em greve na Autoeuropa
Trabalhadores em greve na Autoeuropa
Trabalhadores em greve na Autoeuropa
Trabalhadores em greve na Autoeuropa
Trabalhadores em greve na Autoeuropa
Trabalhadores em greve na Autoeuropa
Trabalhadores em greve na Autoeuropa
Trabalhadores em greve na Autoeuropa
Trabalhadores em greve na Autoeuropa
Trabalhadores em greve na Autoeuropa
Trabalhadores em greve na Autoeuropa
Trabalhadores em greve na Autoeuropa
Trabalhadores em greve na Autoeuropa
Trabalhadores em greve na Autoeuropa
Trabalhadores em greve na Autoeuropa
Trabalhadores em greve na Autoeuropa
As negociações na Autoeuropa serão retomadas após a eleição da nova comissão de trabalhadores, a 3 de outubro. Com as mudanças na laboração, os trabalhadores só têm um fim de semana livre de seis em seis semanas, quer se tratem de casais ou mulheres sozinhas com filhos a cargo. E só conseguem dois dias consecutivos de folga de três em três semanas.

A Autoeuropa admitiu "o impacto negativo da greve" de ontem, que teve a adesão de 41% dos trabalhadores. E deverá reunir a 7 de setembro com os sindicatos, apesar de frisar que é com a comissão de trabalhadores que negoceia.

Ana Isabel trabalha na fábrica há sete anos. Não tem filhos mas o companheiro também trabalha por turnos noutra empresa . "Assim já é difícil estarmos juntos, com o trabalho ao sábado ficamos ainda mais desencontrados". Ana Isabel sente-se "traída e escravizada". Igualmente há sete anos a vestir a farda está José Teixeira, com um filho de três anos e uma mulher que trabalha por turnos e aos sábados. "Como fazemos? Trago o meu filho para trabalhar comigo? Com quem o deixo?".

O impacto na vida familiar é um dos aspetos mais assinalados pelos trabalhadores da Autoeuropa. "Não posso exigir que o meu filho falte à escola para poder estar comigo na folga rotativa", diz Sérgio Lopes. Está divorciado e tem um filho menor com quem só está de duas em duas semanas. "Vou passar semanas sem o ver", lamenta.

"Até fevereiro há tempo para um acordo" 
O ex-líder da comissão de trabalhadores da Autoeuropa, agora retirado, considera que trabalhadores e administração têm de trabalhar mais numa solução em que seja possível "não só manter os atuais três mil postos de trabalho, como os dois mil a contratar". Recordando ao CM que as famílias precisam de condições para se adaptarem à mudança, António Chora reclama "bom senso" e "negociação", já que "até fevereiro há tempo para um acordo".

Fornecedores da fábrica afetados
A paralisação de 24 horas na fábrica da Volkswagen acabou por afetar cerca de metade das empresas do parque industrial de Palmela. A comissão de trabalhadores, que reúne a representação das várias empresas, já manifestou a sua preocupação com o conflito na Autoeuropa.

1995
A Autoeuropa é uma das fábricas de produção automóvel do grupo alemão Volkswagen. Está inserida na região de Palmela e iniciou a sua produção em 1995. Representa o maior investimento estrangeiro até hoje feito em Portugal.

Retrato da empresa
O valor do investimento inicial na fábrica totalizou 1970 milhões de euros. A empresa tem 653 fornecedores, 19 dos quais instalados no parque industrial de Palmela. Os trabalhadores da fábrica, que atualmente são cerca de três mil, têm uma idade média de 40 anos.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)