AVELINO GASPAR FRANCISCO: APROVEITÁMOS A CRISE PARA LIDERAR O SECTOR

Avelino Gaspar Francisco, presidente do conselho de administração da Lusiaves, explica que a empresa é líder na produção de frangos porque investiu para conquistar mercado quando o caso dos nitrofuranos a todos ameaçava.
25.05.03
  • partilhe
  • 0
  • +
Correio da Manhã - É seguro comer frangos produzidos em Portugal?
Avelino Gaspar Francisco - Não representa risco absolutamente nenhum e hoje muito menos. Se éramos controlados antes, agora somos mais. As empresas implementaram e aperfeiçoaram os sistemas de controlo de qualidade e os organismos oficiais estão mais atentos.
- Como se explica, então, a descoberta do uso de nitrofuranos?
- Algo de proibido se estava a fazer, mas a forma de abordar o problema não era aquela. As análises vieram demonstrar que existia uma contaminação residual. Falava-se em um grama por tonelada de carne, o que não afecta em nada a saúde das pessoas. Devia ter-se procurado os prevaricadores, mas sem pôr em causa todos. Provou-se no final que eram muito poucos os envolvidos.
- O sector recuperou rapidamente e o consumo de frangos disparou nas últimas semanas. Porquê?
- Conseguimos transmitir confiança aos consumidores. Eram valores residuais e começaram a aparecer estudos explicando que era preciso estar 73 anos a comer só frango para correr o risco de sofrer algum mal. O sector sempre foi muito competitivo.
- A Lusiaves acabou por beneficiar com a crise dos nitrofuranos?
- Antes dos problemas que existiram, a Lusiaves era a terceira empresa nacional. Neste momento, é a empresa que mais produção tem, com uma quota de mercado de 25 por cento. Os nosso principais concorrentes reduziram drasticamente as produções. Nós fizemos o contrário, aumentámos e aproveitámos espaço deixado vago. Representou um crescimento de 50 por cento em termos de produção e vai representar um investimento superior a cinco milhões de euros durante este ano, quase o dobro do que gastámos em 2002.
- Uma decisão arriscada?
- Soubemos aproveitar a crise. Foi um risco elevadíssimo. Quando os consumidores deixaram de consumir frango chegaram a existir quebras de 80 por cento no mercado. Em Março, tivemos prejuízos de 500 mil euros, mas Abril já foi positivo e no mês de Maio vamos igualar os índices de 2002.
-Como é possível controlar com rigor a qualidade e a segurança?
- Com bons sistemas. No nosso caso baseamo-nos na norma ISO 9001/2002 e no HACCP, que é um sistema de identificação e controlo de pontos críticos em que somos pioneiros.
PERFIL
Avelino Gaspar Francisco tem 46 anos, nasceu em Meirinhas, Pombal, e reside em Leiria desde meados da década de 80. Casado, é pai de dois rapazes, de 15 e três anos, e de uma rapariga, de 11. É presidente do conselho de administração da Lusiaves, que fundou em 1986, a 14 de Abril, quando tinha 29 anos.
B.I. LUSIAVES
A Lusiaves foi fundada em 1986 em Marinha das Ondas, Figueira da Foz, com instalações capazes de comportar 43 mil frangos e 26 empregados. Em 2003, tem 234 colaboradores, conta produzir 13 milhões de frangos e aproveitou a crise dos nitrofuranos para aumentar a quota de mercado de 17 para 25 por cento. É agora líder do sector. Além da produção e comércio de frangos, escoados em 90 por cento dentro de fronteiras, a empresa aposta na carne de peru, galinha e codornizes e em complementos como as espetadas e as batatas fritas. Não recorre a intermediários e integra todas as etapas da cadeia, desde o fabrico de rações à distribuição dos produtos ao retalhista. No último ano, a Lusiaves investiu 27 por cento da respectiva facturação.

pub

pub

Ver todos os comentários
Para comentar tem de ser utilizador registado, se já é faça
Caso ainda não o seja, clique no link e registe-se em 30 segundos. Participe, a sua opinião é importante!