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Correio da Manhã

Economia
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BAGA DE SABUGUEIRO É MAIS-VALIA EM TAROUCA

Os agricultores do concelho de Tarouca e de alguns concelhos limítrofes, no distrito de Viseu e da Beira Alta, começaram mais uma campanha da apanha da baga, um fruto derivado do sabugueiro, uma árvore rara, sensível e que só é aproveitada naquela região do País e que todos os anos constitui uma importante receita para os trabalhadores agrícolas.
20 de Agosto de 2002 às 21:41
No ano passado a colheita resultou na recolha de cerca de 300 toneladas mas este ano, talvez devido ao excesso de calor e à ausência de pluviosidade, a produção deverá ser menor.

Os profissionais da lavoura daquela região, para além das culturas agrícolas comuns, como seja a vinha, pomar, batatas e o olival, entre outras, têm também nas suas propriedade o sabugueiro uma árvore que produz baga, cuja procura tem dado bons rendimentos aos agricultores. Alguns chegam mesmo a chamar-lhe o verdadeiro 'ouro negro' da Beira Alta.

Todos os anos, por esta altura do ano, as pessoas daquela região entram numa azáfama total nos trabalhos da apanha da baga: um fruto preto que não serve para comer e que os agricultores sabem apenas ser um produto que dá algum dinheiro depois de seco.

Numa primeira fase a baga começa por ser verde, mas por esta altura do ano começa a ficar preta e quando estiver totalmente negra é o sinal de que está boa para colher.

Fonte da Adega Cooperativa do Vale Varosa referiu ao “Correio da Manhã”, que a baga é uma mais-valia para os agricultores da região, já que todos os anos têm uma receita considerável que os ajuda a controlar as contas da agricultura.

"Os agricultores têm na baga talvez a melhor fonte de receita na agricultura nesta zona. o tempo não foi muito favorável ao sabugueiro, essencialmente devido à ausência de chuva na época da floração pelo que, as estimativas apontam para uma menor produção este ano. No ano passado, a produção rondou as 300 toneladas, sendo que o quilo foi pago aos produtores pela Cooperativa de Tarouca a 2,5 euros (500 escudos) o quilo. Para este ano, ainda não está determinado o preço a pagar aos agricultores: "O segredo ainda é a alma do negócio". Refira-se que em tempos o preço da baga já atingiu os cinco euros/quilo.

Tendo em conta que a baga é muito rentável para os agricultores, estes, com o objectivo de conseguirem aumentar a quantidade e qualidade, plantam cada vez mais sabugueiros, ocupando mesmo outros espaços que estavam destinados a outras culturas.

Em busca de maior produtividade e consequente lucro, as pessoas estão a plantar cada vez mais sabugueiros, uma árvore de fácil desenvolvimento, e que se apresenta como uma mais-valia às muitas calamidades que os agricultores têm que ultrapassar quando as condições do tempo são adversas à actividade agrícola.

Fácil de produzir e de exportar

Se até há pouco tempo todos os agricultores vendiam a baga à Adega Cooperativa do Vale Varosa, sediada no Castanheiro do Ouro (Tarouca), agora o cenário apresenta- -se diferente já que apareceram intermediários que fazem concorrência à cooperativa, e que muitas vezes prejudicam os agricultores, porque a cooperativa, geralmente, acaba por pagar mais.

Fonte da cooperativa disse ao CM que quando os agricultores depositam o produto, é-lhes logo entregue parte do dinheiro a que têm direito, sendo o restante liquidado pouco tempo depois.

“É indesmentível que o sabugueiro constitui uma riqueza para os nossos agricultores, e estamos cientes que o produto poderia ser mais bem pago só que o mercado ainda não o possibilita", referiu a mesma fonte.

O destino da baga de sabugueiro, que todos os anos tem o escoamento totalmente garantido, é, em grande parte, a exportação. A Alemanha é um dos destinos do produto.

Os alemães querem a baga seca para aplicar, entre outras coisas, nas tintas, doçaria, e indústria farmacêutica.

Este produto começa a ter algum uso em Portugal, nomeadamente para dar mais cor ao vinho.
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