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Correio da Manhã

Economia
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Banca aumenta 'spreads' e restringe empréstimos

Os bancos portugueses terão aumentado os 'spreads' e endurecido ainda mais as condições associadas nos empréstimos concedidos às famílias e empresas no terceiro trimestre, e antecipam um agravamento das condições nos últimos três meses do ano.
7 de Outubro de 2011 às 13:37
bancos admitem mesmo que os critérios para emprestar a empresas tornaram-se  "substancialmente mais restritivos no terceiro trimestre de 2011"
bancos admitem mesmo que os critérios para emprestar a empresas tornaram-se 'substancialmente mais restritivos no terceiro trimestre de 2011' FOTO: d.r.

De acordo com o resultado de um inquérito realizado pelo Banco de Portugal aos cinco grupos bancários portugueses, o aumento do custo do dinheiro (que os bancos pagam para captar recursos destinados a empréstimos) e restrições no seu balanço, juntamente com uma maior aversão ao risco, estarão a provocar este agravamento nas condições dos empréstimos oferecidos pelos bancos. 

Nesse sentido, o aumento da exigência "ter-se-á traduzido num aumento dos spreads aplicados e, embora em menor grau, na aplicação de outras condições contratuais mais restritivas" diz o Banco de Portugal, no caso das empresas. 

Os bancos admitem mesmo que os critérios para emprestar a empresas tornaram-se  "substancialmente mais restritivos no terceiro trimestre de 2011", comparando com o segundo trimestre deste ano, a notarem-se especialmente nos empréstimos a mais longo prazo.  

Entre as justificações para este agravamento está também "uma deterioração das expectativas quanto à actividade económica em geral", levando para além do aumento do 'spread' e das condições contratuais mais restritivas, a uma redução dos prazos dos empréstimos e do valor emprestado.  

Ainda assim, as empresas estarão a reduzir a procura por empréstimos bancários, especialmente as grandes empresas e as empresas que pedem empréstimos com prazos mais longos, devido a cortes no investimento, recurso ao fundo de maneio e a formas de financiamento alternativo, como a emissão de dívida por exemplo.  

Os bancos antecipam um último trimestre mais difícil para as empresas em termos de condições contratuais associadas ao empréstimo, custos e montantes disponíveis, um agravamento esperado também para os empréstimos a particulares. 

No caso dos particulares, os bancos justificam-se com as mesmas circunstâncias (financiamento mais caro e restrições de balanço) para aumentar os spreads e outros encargos associados no crédito concedido a particulares para habitação, consumo e outros fins, mas acrescenta uma perspectiva mais negativa sobre a evolução do mercado de habitação.  

Também as famílias reduziram de forma considerável a procura por empréstimos à habitação, associado "à deterioração das perspectivas para o mercado de habitação e da confiança dos consumidores e à evolução das despesas de consumo não relacionadas com a aquisição de habitação" e ainda porque as famílias estarão a recorrer mais às suas poupanças, a empréstimos de outras instituições outras fontes de financiamento.  

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