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Correio da Manhã

Economia

Banca enganada por falso crédito

Um empresário em prisão preventiva, outros dois obrigados a apresentações semanais às autoridades é o balanço de uma operação levada a cabo na passada sexta-feira pela Polícia Judiciária (através da Direcção Central de Investigação da Corrupção e da Criminalidade Económica e Financeira), que levou à detenção de três homens e determinou a constituição de arguido e a aplicação do termo de identidade e residência a outros seis.
10 de Fevereiro de 2009 às 00:30
O BPI, liderado por Artur Santos Silva e Fernando Ulrich, foi burlado e apresentou queixa
O BPI, liderado por Artur Santos Silva e Fernando Ulrich, foi burlado e apresentou queixa FOTO: Andre Kosters / Lusa

O modo de actuação dos detidos consistia na obtenção de financiamentos (créditos pessoais ou créditos ao consumo) em nome de pessoas que o desconheciam. Recorriam a documentos falsos, nomeadamente declarações de entidades patronais e IRS, apoderando-se dos valores em causa.

A queixa partiu do BPI, que se terá apercebido do esquema depois de tentar cobrar os créditos. Houve situações em que os titulares dos empréstimos já tinham falecido, acabando a instituição por perceber que tinha sido lesada. Também os verdadeiros titulares das contas reclamaram que não tinham contraído qualquer dívida, recusando então satisfazer as pretensões da referida instituição de crédito.

Os suspeitos, cujo processo está a cargo do Departamento de Investigação e Acção Penal do Ministério Público de Lisboa, foram indiciados pelos crimes de burla qualificada, falsificação de documentos, fraude fiscal e associação criminosa.

As autoridades estão ainda a averiguar as circunstâncias em que o grupo obteria os documentos, prosseguindo as investigações para apurar se há envolvimento de outras pessoas. A PJ acredita ainda que se dedicariam a esta actividade há alguns meses.

Estão também a ser feitas diligências policias junto de outros bancos. Só no BPI, a burla ascende a 160 mil euros, mas as autoridades acreditam que pode ser superior e que poderá ter atingido outras instituições de crédito. Admite-se também que existam situações que ainda não terão sido detectadas.

FALSIFICAÇÕES DE QUALIDADE DADAS COMO VÁLIDAS

As autoridades estão ainda a tentar investigar as circunstâncias em que o grupo obteria documentos que depois falsificava. Os mesmos apresentavam uma falsificação de qualidade, já que, depois de entregues nas instituições bancárias, eram dados como válidos. Ainda segundo o CM apurou, o indivíduo que ficou em prisão preventiva era considerado o cabecilha do grupo. Embora se apresentasse como empresário, a verdade é que não demonstrava dedicar-se a qualquer outro modo de vida para além da prática das burlas.

PORMENORES

IRS ELEVADOS

Os pedidos de empréstimos reuniam as condições exigidas pelo banco, já que o grupo tinha o cuidado de falsificar a declaração de IRS, apresentando os proponentes como tendo rendimentos elevados.

OUTROS BANCOS

As autoridades acreditam que a burla terá atingido outros bancos, mas ainda está a ser feito um levantamento da situação. Burlas podem ser de centenas de milhar de euros.

 

 

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