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Correio da Manhã

Economia
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Banca mundial irá manter acordo de redução voluntária da dívida grega

A banca mundial vai aplicar o acordo da passada semana para aceitar perdas voluntárias em 50 por cento da dívida soberana grega, disse esta quarta-feira Charles Dallara, presidente do Instituto Financeiro Internacional (IFI), que representou os bancos nas negociações.
2 de Novembro de 2011 às 16:18
Dallara enviou carta a Sarkozy (na foto)
Dallara enviou carta a Sarkozy (na foto) FOTO: EPA

"Depois do recente anúncio pelo primeiro-ministro grego George Papandreou de um referendo, o IFI reafirma a intenção de aplicar o acordo de 26-27 de Outubro, para reduzir em 50 por cento o valor nominal da dívida do governo grego detida pelos privados", diz Dallara, numa carta endereçada ao presidente francês Nicolas Sarkozy, a que a agência Lusa teve acesso.
 
Os bancos alemães anunciaram esta quarta-feira que adiarão o seu acordo à reestruturação da dívida grega e vão fazer esse acordo depender do resultado do referendo anunciado na segunda-feira pelo primeiro-ministro George Papandreou, que deverá realizar-se em Dezembro.

"Vamos trabalhar em proximidade com as autoridades gregas, responsáveis da Zona Euro e outras partes relevantes para chegar a um acordo e finalizar os pormenores sobre a troca de dívida e trabalhar para a sua rápida implementação", refere Dallara, na carta a Sarkozy, que preside à cimeira do G20, o grupo das 20 maiores economias mundiais, que decorre na cidade francesa de Cannes, quinta e sexta-feira.

O presidente do IIF, que representa 450 instituições financeiras em mais de 70 países defende, na carta, que com a possibilidade de a crise na Zona Euro contagiar as outras economias mundiais a marcar a cimeira do G20, o encontro deverá ter como objectivo chegar a medidas "fortes e convincentes" para dar um novo impulso ao crescimento global.

"Aplaudimos globalmente as medidas que os líderes da Zona Euro aprovaram na passada semana, que definiu um enquadramento sólido para resolver questões importantes sobre défices e dívida, a saúde do sector bancário, a estabilidade e o modelo de governação financeira", diz Dallara.

"No entanto, sublinhamos o desafio que é atingir, simultaneamente, consolidação fiscal e crescimento económico renovado (...) com tanto em jogo na Europa e para a economia e mercados financeiros globais, o G20 deveria pensar nas formas mais apropriadas para apoiar os líderes da zona euro na busca de uma solução abrangente", acrescenta.

O responsável defende também como "essencial" que o aumento dos capitais próprios exigidos aos bancos da União Europeia, que resulta também de um acordo na passada semana, seja uma "medida temporária" e que não seja "encarada como um padrão a adoptar de forma mais alargada", e apela à baixa da taxa de juro de referência do Banco Central Europeu bem como à continuação da intervenção do banco na compra de dívida soberana no mercado secundário.

Antes do encontro do G20, que vai discutir a adopção de taxas sobre transacções financeiras, pelo menos na União Europeia, Dallara sublinha também na carta a Sarkozy a importância de os líderes das
20 maiores economias mundiais adoptarem medidas "consistentes" e de aplicação mundial.

"A implementação de reformas regulatórias extensas e cada vez mais diversas não é consistente nem com a recuperação económica nem com a estabilidade financeira.

As regras globais avançadas pelo G20 deverão ser formuladas e implementadas de forma verdadeiramente consistente", considera o responsável.

"Sobretudo, é essencial que o sector público comece a ver o sistema bancário como um parceiro indispensável no esforço de recuperação, em vez de como um adversário a quem é necessário aplicar medidas cada vez mais punitivas", disse ainda Dallara, na carta a Sarkozy.

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