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Correio da Manhã

Economia
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Banca nacional passa testes

BPI, CGD, BES e BCP superam o capital mínimo exigido, mas os dois últimos terão de reforçar a solidez financeira.
16 de Julho de 2011 às 00:30
Os banqueiros portugueses têm razões para estar satisfeitos com os resultados nos testes de stress num cenário económico adverso em 2011 e 2012
Os banqueiros portugueses têm razões para estar satisfeitos com os resultados nos testes de stress num cenário económico adverso em 2011 e 2012 FOTO: Pedro Elias/Jornal de Negócios

Os quatro maiores bancos portugueses passaram os testes de resistência, realizados pela Autoridade Bancária Europeia, num cenário económico adverso para 2011 e 2012.

BPI, CGD, BCP e Espírito Santo Financial Group (ESFG), holding que detém o BES, ficaram acima do limite mínimo de 5% do rácio ‘Core Tier 1’, fixado para o exercício, que revela a solidez financeira de um banco. Mesmo assim, o ESFG e o BCP, por terem um rácio inferior a 6%, terão de aumentar os capitais próprios ou vender activos, nos próximos três meses.

O resultado positivo destes quatro bancos não impediu a Moody’s de aplicar mais um corte no rating: ontem, a agência considerou de ‘lixo’ a CGD, o ESFG e o BCP, deixando o BPI acima desse nível.

Os testes de stress à Banca europeia eram aguardados com expectativa na União Europeia (UE). Dos 90 bancos avaliados, oito chumbaram e 16 obtiveram uma avaliação entre 5% e 6%.

Entre os bancos nacionais, o BPI e a CGD obtiveram os melhores resultados: o BPI alcançou um rácio de 6,9% e a CGD 6,2%. Já o ESFG passou os testes com um 5,8% e o BCP com 5,4%.

O governador do Banco de Portugal (BdP), Carlos Costa, deixou ontem claro que "nenhum banco teria de aumentar o capital, mas o BdP vai pedir a todos os bancos para ficarem acima de [um ‘Core Tier 1’] de 6%." Daí que o ESFG e o BCP vão desenvolver, em conjunto com o BdP, medidas para atingir, no prazo de três meses, esse rácio.

As medidas adicionais que o ESFG e o BCP estão a preparar permitirão alcançar rácios de 6,3% e 6,2%. O Governo garante que "estará pronto a tomar as medidas necessárias para manter a estabilidade financeira."

Para Carlos Costa, "apesar do enquadramento adverso em que os bancos têm vindo a desenvolver a sua actividade, os resultados evidenciam que os bancos portugueses analisados superaram confortavelmente o mínimo do capital exigido." E isto, frisou, "demonstra a resiliência do sector bancário português."

GRÉCIA REGISTA DOIS CHUMBOS

Com classificação de ‘lixo’, segundo a Moody’s, a Grécia viu dois bancos seus chumbados nos testes de stress, o Agricultural Bank of Greece e o EFG Eurobank Ergasias. Estes bancos têm agora de reforçar os seus níveis de capital. O Agricultural, por exemplo, com um ‘core tier’ de -0,8%, vai ter de se financiar em 713 milhões de euros.

IRLANDA ENTRE OS MELHORES

O banco com melhor performance é espanhol, Banca March, com rácio de capital de 23,5%, mas a surpresa foi o irlandês Iris Life & Permanent, que obteve a segunda melhor marca (20,4%), apesar de o país estar cotado como ‘lixo’ pela Moody’s. Fecha o pódio o Sydbank (Dinamarca).

BPI E TOTTA FORA DO 'LIXO'

No preciso dia em que a Banca celebrava a passagem nos testes de stress aos bancos europeus, a Moody’s atirou para a categoria ‘lixo’ vários bancos nacionais: CGD, BES, (incluindo a holding ESFG) BCP e Montepio. Os únicos a escapar foram o BPI (um patamar acima de lixo) e o Santander Totta (3 patamares acima de lixo). A Moody’s justifica a decisão com o recente corte do rating da República.

ESPANHA LIDERA 'LISTA NEGRA'

Cinco dos oito bancos chumbados nos testes da Autoridade Bancária Europeia são de Espanha: Caixa d’Estalvis de Catalunya, Tarragona e Manresa; Banco Pastor; Caixa d’Estalvis Unio de Caixes de Manlleu, Sabadelli e Terrassa; Grupo Banco Grupo Caja 3; e Caja de Ahorros Del Mediterráneo. À ‘lista negra’ escaparam os bancos irlandeses, país cotado como ‘lixo’ pela Moody’s.

2,3 MIL MILHÕES PARA PPP

O Estado assinou em 2010 três novas parcerias público-privadas (PPP) que representam um investimento de 2,3 mil milhões de euros, o valor contratado mais alto de sempre. Para este número, muito contribui a ligação em alta velocidade Poceirão-Caia, com um investimento previsto de 1,3 mil milhões de euro, e a concessão rodoviária do Pinhal Interior, orçamentada em 958,2 milhões de euros. Neste contexto, os 78,8 milhões de euros do Hospital de Vila Franca de Xira, também resultado de uma PPP, pouco pesam.

O Relatório da PPP, publicado ontem à noite pelo Ministério das Finanças, revela não só o valor dos novos contratos mas também os encargos financeiros do Estado com os 37 projectos já em exploração ou em fase de construção. E, neste caso, mostra que foi o sector rodoviário que mais derrapou nas contas: o valor dos encargos ficaram 28% acima do previsto. Relativamente a 2009, os encargos com as concessões rodoviárias subiram 33%, atingindo 896,6 milhões de euros. Este é o pior ano de sempre nas PPP e vamos ter de pagar o valor mais alto previsto para os próximos 30 anos, 1,5 mil milhões de euros.

 

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