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Correio da Manhã

Economia

Banca triplica spreads às PME

A Banca está a aumentar significativamente os spreads que cobra aos pequenos empresários, alegando que se trata de um reflexo do aumento do custo de financiamento e do risco.
8 de Fevereiro de 2009 às 00:30
A crise financeira mundial  e a consequente subida do custo dos dinheiro  está a levar os bancos a aumentarem as suas margens de negócio
A crise financeira mundial e a consequente subida do custo dos dinheiro está a levar os bancos a aumentarem as suas margens de negócio FOTO: direitos reservados

O Banco Espírito Santo, por exemplo, numa carta a que o CM teve acesso, enviada a um pequeno empresário, decidiu quase triplicar o spread que cobrava, de 4,5% para os 11%, actualizando também para 1% a comissão de gestão. O spread corresponde à margem dos bancos e neste caso concreto o empresário vai ter de pagar um juro total de 14%, sete vezes mais o valor da taxa Euribor a seis meses, que se fixou nos 2,108%. No documento, o BES justifica o 'ajuste' com o facto de, apesar do aval do Estado criar alternativas à obtenção de fundos nos mercados internacionais, 'esta forma de financiamento manter o elevado custo de obtenção de fundos que, comparando com valores em vigor antes da crise, é significativamente mais elevado, independentemente da descida já verificada na Euribor'.

Para o presidente da Associação Industrial de Guimarães (AIG), os aumentos dos spreads só resultam numa coisa: 'Despedimentos. Uma empresa que já esteja em dificuldades não tem capacidade para pagar duas ou três vezes mais o spread ao banco. A solução passa por despedir, infelizmente.' Segundo Carlos Teixeira, as PME que se dirijam aos bancos para pedir crédito têm duas respostas: 'Ou pedem spreads elevadíssimos ou simplesmente dizem que não podem conceder crédito', devido às dificuldades da Banca se financiar lá fora. O presidente da AIG acredita haver uma 'concertação entre bancos para subir em conjunto os spreads'.

O BES, por seu lado, garante que é a instituição bancária que mais percentagem de crédito tem concedido às empresas, 70%, e que apenas 2% dos contratos de crédito com os empresários se encontra com spreads acima dos 7%.

PORMENORES

RESTRIÇÕES 

O Banco de Portugal confirma que os bancos apertaram as condições para a concessão de crédito às empresas e famílias.

LINHAS DE CRÉDITO

A PME Investe III já financiou dez mil micro e pequenas empresas, com um financiamento total de 340 milhões de euros.

GARANTIAS DO ESTADO

O presidente do BES, Ricardo Salgado, considera provável que o Estado tenha de reforçar a garantia de 20 mil milhões de euros dada à Banca.

JOSÉ ANTÓNIO BARROS, PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO EMPRESARIAL DO PORTO: 'BANCA TEM DE SER MAIS PROACTIVA A DAR CRÉDITO'

Correio da Manhã – O aumento dos spreads por parte da banca, é justificável?

José António Barros – A AEP não ignora as dificuldades dos bancos, todavia, insistimos na necessidade de a Banca ser mais proactiva na concessão de crédito e maior razoabilidade do seu custo.

– Qual o impacto desse aumento na economia real?

– Nas últimas semanas, têm aumentado as queixas dos nossos associados. As empresas têm reportado situações altamente criticáveis quanto ao comportamento da Banca, que chega a mais do que duplicar os spreads contratados em 2008.

– As linhas de crédito estão a funcionar?

– Todas as medidas tendentes a aliviar a tesouraria das empresas são bem-vindas. Mas há que encarar de frente medidas como a eliminação do Pagamento Especial por Conta (PEC).

– Basílio Horta diz que o Estado já fez tudo o que podia fazer. Concorda?

– Não é possível baixar os braços e dizer que o Governo já fez tudo o que devia fazer. Numa crise tão profunda e difícil, todos os dias é preciso fazer opções e procurar as melhores soluções para a combater.

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