Barra Cofina

Correio da Manhã

Economia
9

BANCÁRIOS NO SISTEMA PÚBLICO

O Governo pretende que os bancários passem a ser abrangidos pelo sistema público de Segurança Social, mas a matéria terá de ter o acordo da banca e dos seus trabalhadores.
19 de Junho de 2002 às 00:35
O ministro do Trabalho e da Segurança Social, Bagão Félix, desmentiu ontem notícias segundo as quais teria manifestado, na reunião da concertação social de segunda-feira, a intenção de acabar com os subsistemas como a Caixa dos Jornalistas e dos Advogados e com o SAMS dos bancários.


Segundo assegurou ao Correio da Manhã uma fonte oficial do Ministério do Trabalho, o que está prevista na proposta de Lei de Bases da Segurança Social é uma disposição que prevê a "universalização da Segurança Social pública". Ou seja, que o sistema público abranja sectores de actividade económica que ainda não estão contemplados por esse princípio. Como é o caso dos bancários.


O Governo garantiu que "nada fará sem o acordo tripartido" entre o Executivo, os bancos e os sindicatos e que, a ser aprovada a disposição legal, ela só incidirá "sobre quem entrar para o sector bancário" e não sobre os actuais trabalhadores.


Para o presidente do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas (SBSI), Delmiro Carreira, a medida tem os seus prós e os seus contras.


Actualmente, os trabalhadores da banca descontam apenas cinco por cento do ordenado para fundos de pensões e três por cento para subsídios familiares. Se passarem para o sistema público, como é pretensão do Governo, o valor sobe para os onze por cento.


"Não contestamos a medida mas ninguém aceita descontar valores mais altos do seu salário" sublinhou Delmiro Carreira. Além disso, "nem a própria banca aceitaria ver as verbas dos fundos de pensões reduzidas, que já movimentam dois mil milhões de contos", acrescentou.


No entanto, o sindicalista lembra que o actual sistema da banca "coloca os trabalhadores totalmente dependentes das instituições de crédito", o que significa que, em caso de falência, "os bancários ficam sem reformas".


A solução passaria assim por ser o sistema público a assegurar "garantias mínimas" para os trabalhadores da banca, defendeu.


O presidente do maior sindicato da UGT considerou ainda que a discussão tripartida tem de ser feita "sem o frenesim que houve com outras medidas anunciadas pelo Executivo".
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)