No Orçamento do Estado para 2021, o Governo previa que, relativos a 2020, o Banco de Portugal entregasse ao Estado dividendos de 374,5 milhões de euros.
O Banco de Portugal (BdP) entregou ao Estado dividendos no valor de 428 milhões de euros, referentes ao ano passado, abaixo dos 607 milhões de euros relativos a 2019, segundo o Relatório do Conselho de Administração hoje divulgado.
Já entre dividendos e impostos sobre o rendimento corrente, o banco central entregou ao Estado um total de 671 milhões de euros, inferior ao montante entregue em 2020, que foi de 956 milhões de euros.
Os dividendos e os impostos são relativos ao resultado apurado em 2020, ano em que o banco teve lucros de 535 milhões de euros, quando em 2019 os lucros foram de 759 milhões de euros.
Segundo o BdP, "o resultado líquido foi de 535 milhões de euros, 31 milhões de euros superior ao resultado orçamentado para 2020".
No Orçamento do Estado para 2021, o Governo previa que, relativos a 2020, o Banco de Portugal entregasse ao Estado dividendos de 374,5 milhões de euros.
Quanto às rubricas que contribuíram para os resultados destaca-se a margem de juros, no montante de 802 milhões de euros, cuja principal componente são os juros dos títulos detidos para fins de política monetária, no valor de 882 milhões de euros.
Segundo o BdP foram reconhecidos juros a pagar das operações de refinanciamento às instituições de crédito no montante de 202 milhões de euros.
"Os resultados realizados em operações financeiras e prejuízos não realizados, no montante de -21 milhões de euros, associados à desvalorização do dólar norte-americano ocorrida nos últimos meses do ano", pode ler-se no comunicado que acompanha o relatório.
Os gastos de funcionamento totalizaram 196 milhões de euros, menos 9,0 milhões de euros do que em 2019, com os gastos com pessoal a cair 5%, "refletindo sobretudo o decréscimo de gastos de reformas antecipadas".
No final de 2020, o balanço do Banco de Portugal ascendia a 192 mil milhões de euros, um valor superior em 33 mil milhões de euros ao registado no final de 2019.
Segundo o BdP, "este aumento do balanço decorreu, essencialmente, das medidas adotadas para mitigar os efeitos da pandemia de covid-19 sobre a economia".
Na evolução do balanço, do lado do ativo, o banco central destaca o aumento dos ativos de política monetária em 30 mil milhões e o aumento do ouro e ativos de gestão, sobretudo relacionado com o aumento do preço do ouro em 14%.
Do lado do passivo, o BdP realça o aumento dos depósitos das instituições de crédito em 12,4 mil milhões de euros, "consequência da significativa injeção de liquidez resultante das medidas de política monetária" e "o crescimento significativo das notas em circulação, 11% no total do Eurosistema, em resultado do aumento da incerteza na Europa no início da pandemia".
DF // MSF
Lusa/Fim
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