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Correio da Manhã

Economia
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Bancos ameaçam penalizar clientes

Resposta da Federação Europeia de Bancos ao BCE, que quer pôr a Banca a pagar por depósitos em Frankfurt, é refletir agravamento nos consumidores.
7 de Junho de 2014 às 22:40
O vice-presidente do BCE, Vítor Constâncio, defende medidas aprovadas em Frankfurt
O vice-presidente do BCE, Vítor Constâncio, defende medidas aprovadas em Frankfurt FOTO: Kai Pfafenbach/Reuters

Os bancos ameaçam refletir nos clientes o agravamento dos custos com os depósitos bancários que as instituições financeiras vão ter de desembolsar para guardar dinheiro no Banco Central Europeu (BCE).

O BCE decidiu esta semana aplicar juros negativos de 0,1 por cento nos depósitos. Por outras palavras, os bancos europeus que optem por guardar o dinheiro no BCE vão ter de pagar por isso. É uma medida inédita, que penaliza a Banca mas com a qual Mario Draghi pretende que o dinheiro volte a circular e chegue à ‘economia real', nomeadamente famílias e pequenas e médias empresas (PME). Ou seja, é mais barato emprestar o dinheiro do que guardá-lo no BCE.

Mas na resposta, a Federação Europeia de Bancos (EBF, na sigla inglesa) ameaça que podem ser os clientes a pagar os juros negativos dos depósitos. Naquilo que classifica como "medida simbólica" do regulador europeu, a Banca alerta que "ainda há pouca procura por crédito, e os mercados financeiros na Zona Euro apresentam um elevado nível de fragmentação, o que pode levar os bancos a passarem o aumento dos custos para os seus clientes a quem emprestam dinheiro". Em comunicado, a EBF salienta que "não é claro qual será o impacto" da medida, que pode até falhar o objetivo de injetar dinheiro na economia real. Para o líder da EBF, Robert Priester, os bancos "não partilham do entusiasmo da medida", e avisa que as taxas negativas vão penalizar a rentabilidade das instituições.

Vítor Constâncio defendeu ontem em Londres a alteração. Para o vice-presidente do BCE, os bancos terão condições para "iniciar uma nova fase" e aumentar o volume de crédito concedido a partir de outubro. Constâncio referiu que as medidas pretendem combater a inflação e crescimento baixos. "Até outubro, esperamos desfazer quaisquer dúvidas que restem sobre a robustez dos bancos europeus", acrescentou.

Juros nacionais em mínimos históricos

Os juros da dívida de Portugal estiveram ontem a descer em todos os prazos. A dois anos, o valor deslizou para mínimos históricos, abaixo de 1%. O movimento surge depois da intervenção do BCE, que baixou a taxa diretora para 0,15% e promete injetar 400 mil milhões de euros na economia real. As obrigações a 10 anos caíram 12,9 pontos-base para se fixarem em 3,515% e, no prazo a dois anos, desceram 13,4 pontos-base para 0,931%, aproximando-se do mínimo registado em 1999.

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