Com a subida das taxas Euribor e os créditos mais caros, o Governo criou uma medida que permite aos portugueses pedirem a fixação da prestação do crédito à habitação durante dois anos.
Os bancos já receberam milhares de pedidos para fixação da prestação do crédito à habitação, e por um valor inferior ao atual, segundo disseram responsáveis dos principais bancos na conferência 'Banca do Futuro'.
O BCP já recebeu cerca de 2 mil pedidos, disse o presidente do banco, Miguel Maya, acrescentando que muitas prestações já foram fixadas, enquanto o BPI já recebeu 1.500 pedidos, segundo o administrador Francisco Barbeira.
Na Caixa Geral de Depósitos entraram no início uma média de 50 pedidos por dia e mais recentemente rondam os 80 pedidos por dia, disse o presidente, Paulo Macedo.
Já Novo Banco tem recebido quase 100 pedidos por dia, disse o administrador Luís Ribeiro.
O Santander Totta não deu números concretos, considerando o seu presidente, Pedro Castro e Almeida, que muitas pessoas ainda têm a expectativa que as taxas baixam antes de decidirem se avançam ou não com o pedido.
Com a subida das taxas Euribor (acompanhando a subida das taxas diretoras do Banco Central Europeu) os créditos têm-se tornado mais caros, pelo que o Governo criou um mecanismo, em vigor desde 2 de dezembro, em que os clientes com crédito à habitação podem pedir ao seu banco o acesso ao regime que fixa a prestação do crédito à habitação durante dois anos e por um valor mais baixo que o atual.
É que a prestação ficará indexada a 70% da média da Euribor a seis meses do mês anterior ao pedido do cliente (o que garante que paga menos durante os dois anos do que se a Euribor fosse refletida a 100%). O valor não pago terá de ser pago posteriormente, a que se somam juros.
Ainda na conferência desta quinta-feira, organizada pelo Jornal de Negócios e pela Claranet, questionados sobre o incumprimento dos créditos, tanto o presidente da CGD como o do Santander Totta disseram que para já não há problemas importantes, mas que na evolução do malparado será importante a evolução das taxas de juro, sobretudo o desemprego.
"A variável mais importante é o emprego. Se o nível de desemprego estiver em dois dígitos, mesmo com taxas de juro mais baixas, aí terá grande impacto" na capacidade de clientes pagarem os empréstimos, disse Castro e Almeida.
Sobre a crise política, os banqueiros voltaram a repetir o que tinham dito na semana passada, da importância da estabilidade na governação e do equilíbrio das contas públicas.
O presidente do Santander Totta (detido pelo grupo espanhol Santander) considerou que é esse saneamento que traz "para Portugal muitas empresas" e foi crítico com o que se passa em Espanha, considerando que no país vizinho toma posse "um governo populista, que vai aumentar os impostos sobre as grandes empresas, sobre a riqueza" e que tudo o que "seja instabilidade vai-se pagar a prazo".
Quanto à polémica que envolveu o governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, por ter sido falado por António Costa para lhe suceder como primeiro-ministro, a maioria ds responsáveis dos bancos não quis pronunciar-se.
Por seu lado, o presidente da CGD, Paulo Macedo, voltou a considerar que Centeno é "um governador sério e competente", como tinha dito na semana passada, e que "uma coisa não afeta outra, de acordo com o conhecimento público" que tem do tema.
Disse ainda Macedo que não é fácil substituir o governador do Banco de Portugal, ao contrário do que parece por várias declarações públicas.
"Não há cinco pessoas em Portugal que possam desempenhar aquele lugar com qualidade, às vezes parece que até pode ser Joaquim ou o Manel", afirmou.
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