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Correio da Manhã

Economia
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Bancos lucraram 5,9 milhões por dia

Nos primeiros seis meses do ano, antes dos efeitos da crise se fazerem sentir de forma severa, os bancos a operar em Portugal lucraram 1,075 mil milhões de euros, de acordo com o boletim da Associação Portuguesa de Bancos. De Janeiro a Junho as instituições ganharam 5,9 milhões de euros por dia.
9 de Dezembro de 2008 às 21:00
O banco liderado por Faria de Oliveira tem a melhor saúde financeira
O banco liderado por Faria de Oliveira tem a melhor saúde financeira FOTO: Carlos Manuel Martins

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) foi a que melhores resultados obteve, registando mais de 354 milhões em lucros. No fundo da lista, o BPN contou 71 milhões em prejuízos. O BPP, que atravessa dificuldades, estava a meio da tabela. Aliás, a Banca nacional aumentou em mais de dois terços as provisões: em Junho do ano passado o valor era de 673 milhões de euros; um ano depois, a verba já ultrapassou os 1,1 mil milhões de euros.

Em resultado da escalada dos juros, também a margem financeira subiu cinco por cento, o equivalente a 139,7 milhões de euros. Já o valor cobrado aos clientes em comissões e serviços subiu 14 por cento, o equivalente a 146,5 milhões de acréscimo neste tipo de receitas.

O produto bancário, a principal fonte de financiamento, teve um decréscimo de apenas 15 milhões de euros. Apesar do maior rigor na concessão de empréstimos, o crédito manteve-se dinâmico graças à subida do crédito ao consumo.

Apesar de se antever dificuldades associadas à crise do subprime nos Estados Unidos, os bancos a operar em Portugal optaram por manter elevadas despesas de funcionamento, mantendo o ritmo de abertura de balcões de atendimento a clientes. No primeiro semestre os custos operativos tiveram um acréscimo de 157,6 milhões. Face a igual período de 2007, os bancos abriram mais 438 balcões e contrataram mais 1449 empregados

Ainda assim, face ao primeiro semestre de 2007 os lucros da Banca diminuíram 472 milhões de euros, isto tendo em conta que 2007 foi um ano histórico para as suas receitas. Apesar disso, recorde-se, apenas em Setembro, após a declaração de falência do Lehman Brothers, a crise financeira desencadeou desconfiança no sector, dificuldades de liquidez e agravou a desvalorização de activos na Bolsa.

BPN FOI O MENOS RENTÁVEL

No final de Junho, antes da nacionalização, o BPN contava com um passivo de quase nove mil milhões de euros. O banco fundado por Oliveira e Costa detinha 171,3 milhões de euros respeitantes a recursos de bancos centrais e 774,3 milhões de euros em recursos de outras instituições de crédito. Os recursos de clientes estavam contabilizados em cinco mil milhões. Em termos de resultados líquidos, o BPN apresentava prejuízos de 71 milhões de euros.

LISTA DOS LUCROS

Instituição / Resultado líquido (mil euros)

CGD / 354 173

Santander Totta / 273 261

BES / 264 143

Banco Santander Totta* / 207 459

BCP / 101 358

CCAM / 52 258

Banif  / 44 419

BESI / 35 065

Banco Popular / 26 274

Finantia / 24 731

Montepio Geral / 23 664

Caixa BI / 20 989

Barclays / 18 386

BBVA / 11 452

Cetelem* / 9566

Banco Mais / 9533

BPI / 9081

BPI* / 9059

Itau / 8876

Santander Negócios* / 8136

Deutsche Bank / 7476

Finibanco / 6775

Banif* / 5988

Big / 5802

BPP / 5752

BCPI / 5637

Santander Consumer / 5455

Cofinoga SGPS / 5324

Imibank / 4289

BII / 3799

Caixa Vigo* / 3442

BCA / 3410

BNP Parisbas / 3306

BAC* / 2273

Best * / 2139

Caixa Galicia* / 2052

Fortis Bank* / 1112

Rural / 815

BAI* / 674

Activo Bank* / 508

Banif Inv / 0

BNP Parisbas Private* / -843

BPG* / -1469

ABN*  / -2620

Efisa* / -3634

Banco Investec  / -6909

BPN / -71 903

(*Contas não consolidadas)

 

 

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