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Correio da Manhã

Economia
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Bancos perdem 640 milhões na Bolsa

O forte endividamento da Banca portuguesa ao exterior, a exposição de algumas instituições financeiras à crise grega e o corte geral do rating dos bancos nacionais levaram ontem os investidores a penalizar fortemente as instituições cotadas no PSI 20. No total, BES, BCP e BPI registaram perdas em Bolsa de 640 milhões de euros.
28 de Abril de 2010 às 00:30
O presidente do Banco Espírito Santo, Ricardo Salgado, o presidente do BPI, Fernando Ulrich, e Carlos Santos Ferreira, do Millennium BCP
O presidente do Banco Espírito Santo, Ricardo Salgado, o presidente do BPI, Fernando Ulrich, e Carlos Santos Ferreira, do Millennium BCP FOTO: Fotomomtagem CM

Os papéis do banco liderado por Ricardo Salgado, que apresenta os resultados trimestrais na próxima segunda-feira, registaram perdas de 302 milhões de euros. Já o Millennium/BCP, que a Standard & Poor’s considera ser a instituição financeira mais exposta ao problema da Grécia, cortando o rating de A- para BBB , perdeu 258 milhões de euros. O banco de Santos Ferreira apresenta resultados hoje. O BPI de Fernando Ulrich, que já tinha assumido os efeitos da crise grega nos seus resultados trimestrais, viu o rating descer para A- e voarem do mercado de capitais 80 milhões de euros numa só sessão.

O resultado directo do corte da notação da dívida pública foi "o aumento do risco de todos os bancos portugueses", referiu a Standard & Poor’s, que acrescenta que a evolução da economia portuguesa "vai colocar pressão na qualidade dos activos". 

SAIBA MAIS

A QUEDA DO PSI 20

O PSI 20, principal índice da Bolsa portuguesa, fechou ontem a perder 5,36%. Trata-se da maior queda desde 16 de Outubro 2008 e a segunda maior ontem registada na Europa. Só a Grécia, com menos 6,85%, caiu mais.

96

dias mediaram entre 21 de Janeiro, quando a Standard & Poor’s cortou o rating de Portugal de AA- para A , e ontem, em que a mesma agência baixou a nota de A para A-.

15%

foi quanto desceu o PSI 20 da Bolsa de Lisboa desde o início deste ano. Foi a 4.ª maior queda no Mundo. Pior só a Venezuela, com menos 42%, a Grécia, com menos 23%, e o Chipre, com menos 18%.

NEM TODOS TÊM CRISE

A Espanha com a Bolsa a cair 12% e a Itália que perdeu uns 5% estão em crise como Portugal, mas há países emergentes, como a Ucrânia, a ganhar 95% desde o início de 2010.

5,89%

de juros na dívida de Portugal a dez anos fixaram ontem um novo máximo histórico para os compromissos do nosso país com os credores internacionais.

GRÉCIA NÃO VAI PAGAR

A S&P baixou a nota da Grécia para BB por achar que o país só honrará 30 a 50% dos compromissos da dívida pública.

NOTAS

COSTA PINA: PAGAMENTO

O secretário de Estado do Tesouro, Carlos Costa Pina, garantiu ontem que Portugal não terá dificuldades em amortizar em meados de Maio os cinco mil milhões de euros de obrigações

IGCP: LEILÃO DE RECOMPRA

O Instituto de Gestão do Crédito Público (IGCP) lança hoje um leilão para recompra de obrigações do Tesouro. O montante indicativo para a recompra situa-se nos 300 milhões de euros

CAVACO SILVA: TURBULÊNCIA

O Presidente da República, Cavaco Silva, disse acompanhar "de perto o evoluir da turbulência nos mercados financeiros", mas recusou comentar o corte do rating pela S&P

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