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Correio da Manhã

Economia
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Basílio Horta quer explicações do ministro da Economia no Parlamento

O deputado do PS, Basílio Horta, pediu esta quarta-feira ao ministro da Economia que vá ao parlamento explicar a suspensão da construção da fábrica da Nissan em Cacia, Aveiro, e a "mudança de estratégia política" por parte do Governo português.
14 de Dezembro de 2011 às 12:16

"Temos que ouvir o ministro da Economia que até agora não falou sobre o assunto. Nós queremos que ele venha à comissão dar explicações sobre o que se está a passar na Nissan e talvez mesmo no que se pode vir a passar no investimento estrangeiro em Portugal", afirmou.

Basílio Horta, antigo presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), diz compreender "que dentro desta mudança de estratégia política a Nissan tenha repensado e tenha suspenso o seu investimento".

O deputado socialista indicou que a suspensão da construção da fábrica "é uma notícia muito triste, quer para a região, quer para o país". "Lembro-me que em Fevereiro de 2011, o CEO da Nissan dizia com toda a clareza que a fábrica ia produzir 50 000 baterias por ano e que era previsível que houvesse novos investimentos no upgrade tecnológico", salientou.

Criticando o facto do actual ministro da Economia "ter dito que a mobilidade eléctrica é para países ricos", Basílio Horta sublinhou que a "Nissan percebeu que havia uma mudança profunda na estratégia do Governo"

"E tanto é assim que no comunicado onde apresenta a suspensão vem dizer que lamenta profundamente que o Governo tenha invertido a sua posição em relação aos auxílios fiscais que dava ao carro eléctrico", disse.

Sobre as últimas declarações do Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais em que diz que a troika impede incentivos, Basílio Horta diz que o governante está "equivocado".

"O que a troika diz é que os incentivos fiscais têm de ser todos reavaliados em função de uma estratégia política e obviamente a mobilidade elétrica sendo uma actividade de ponta e de futuro justificaria que houvessem incentivos fiscais para o carro eléctrico", assinalou.

Relativamente aos compromissos assumidos entre o Estado e a Nissan, o antigo presidente do AICEP lembrou que não houve um contrato, houve um memorando de entendimento".

 

"O que houve foi uma intenção da empresa e do estado de fazer este investimento que depois se iria concretizar num contrato de investimento", concluiu.

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