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BCE deve voltar a subir taxas de juro na próxima semana

Presidente do Bundesbank admite aumento, em resposta ao agravamento da inflação.

03 de setembro de 2026 às 01:30

Os analistas de mercado antecipavam e agora o presidente do Bundesbank alemão e membro do conselho de governadores,  Joachim Nagel, veio dissipar dúvidas: muito provavelmente o Banco Central Europeu vai aumentar as taxas de juro diretoras na próxima semana, uma resposta à inflação que se está a registar na zona euro. 

 "Os mercados estão a incorporar uma probabilidade superior a 95% de que aumentemos as taxas de juro na nossa reunião de setembro, e eu diria que os mercados têm uma ideia bastante clara de como provavelmente responderemos neste momento", afirmou o alemão, numa entrevista ao Le Monde publicada esta quarta-feira.  Na reunião do próximo dia 10 de setembro, o bce deverá assim regressar à subida das taxas, depois do aumento de 25 pontos base em junho, fixando a taxa de depósitos em 2,25%. A Euribor tem vindo a refletir as expectativas de aumento e tem penalizado as prestações mensais de quem tem crédito à habitação em Portugal. 

Já a semana passada, Isabel Schnabel, que é membro da comissão executiva do BCE, defendia esse aumento.  "À taxa de juro de referência atual, é pouco provável que a inflação regresse ao objetivo [de 2%] no médio prazo e por isso será necessário um maior aperto da política monetária", disse à Bloomberg.  Recorde-se que esta semana o Eurostat divulgou a informação relativa a agosto, que mostrou um aumento da inflação na zona euro para 3,3%, quando um ano antes se fixava em 2%.  De acordo com o Eurostat, a principal pressão sobre os preços veio da energia, cuja taxa de inflação deverá ter acelerado para 14,3% em agosto, contra 10,3% em julho.

A evolução das taxas reflete-se já nas novas operações de crédito à habitação em Portugal, com a taxa de juros média subir em julho para 2,96%, segundo o Banco de Portugal (BdP). Segundo os dados do BdP, a taxa de juro média das novas operações de crédito à habitação - que inclui novos contratos e renegociações - aumentou 0,02 pontos percentuais face aos 2,94% registados em junho, situando-se no valor mais alto desde maio de 2025 (2,97%). Em setembro e outubro de 2023, esta taxa chegou a atingir os 4,31%.  Entretanto, o Governo reforçou a garantia pública para a concessão de crédito à habitação para jovens em mais 100 milhões de euros, de acordo com o Diário da República. 

"Será necessário um maior aperto da política monetária", defendeu Isabel Schnabel

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