Barra Cofina

Correio da Manhã

Economia
5

BCP valoriza mais de 3%

Depois do falhanço da Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre o BPI, o BCP enfrenta agora um jogo de forças dentro da sua estrutura interna. Os accionistas do banco liderado por Paulo Teixeira Pinto preparam-se para votar na assembleia geral (AG) do próximo dia 28 a polémica proposta de alteração de estatutos, onde alguns desses membros já fizeram saber que, se o voto for secreto, esta proposta pode ser chumbada. Neste grupo poderão estar Ilídio Pinho, Dias da Cunha ou Luís Champalimaud, como avançou ontem o ‘Diário Económico’.
23 de Maio de 2007 às 00:00
Paulo Teixeira Pinto, presidente do conselho de administração, acompanhado por Jardim Gonçalves
Paulo Teixeira Pinto, presidente do conselho de administração, acompanhado por Jardim Gonçalves FOTO: Pedro Aperta/Jornal de Negócios
Em causa está a nomeação do conselho de administração executivo que poderá vir a ser da total responsabilidade do conselho geral de supervisão, um órgão liderado por Jardim Gonçalves, uma qualidade que o BCP garantiu ontem ser prática comum em muitos países europeus. O fundador do Banco Comercial Português quer desta forma aumentar o seu controlo na instituição, blindando-a à interferência dos accionistas. Estes, por sua vez, desejam conquistar uma voz mais activa na gestão do banco.
Este jogo de interesses motivou fortes movimentações da Bolsa de Valores. A Euronext Lisboa esteve ontem a negociar nos valores mais altos desde meados de 2000, impulsionada pelas valorizações do BCP.
O banco beneficiou das recomendações da Lisbon Brokers, que aumentou o preço-alvo de cada acção de 3,30 euros para 3,50, embora tenha reduzido a recomendação de ‘forte compra para compra’.
Também a UBS, uma das mais prestigiadas casas internacionais, aumentou o preço-alvo para 3,70 euros por título, com uma recomendação para ‘comprar’. A casa de investimento suíça disse ontem que o BCP tem de se focar na reestruturação interna, nomeadamente na redução dos custos fixos, depois de ter perdido um ano com uma “oferta hostil e fútil”.
No final do dia os títulos do BCP fecharam a 3,29 euros, com uma valorização de 3,13 por cento. Foram negociados 45,8 milhões de títulos, num valor acima de 150,7 milhões de euros, com o título a negociar ao valor máximo dos últimos cinco anos.
Os olhos dos investidores estão centrados na AG, onde a questão do voto secreto poderá ser levantada pelo presidente da mesa, Luís Neiva Santos. Se for votada favoravelmente pela maioria dos presentes a alteração dos estatutos terá grandes hipóteses de ser chumbada. Entretanto, o voto electrónico, um mecanismo para os accionistas que não estarão presentes na AG, a funcionar a partir de ontem e até ao dia 25, garante a confidencialidade.
Jardim Gonçalves terá de conseguir a aprovação de dois terços dos accionistas presentes, uma condição que também pode mudar no futuro. Na proposta a ser votada está o aumento do número de votos presentes necessários para a aprovação de algumas decisões para 75 por cento. O BCP avançou ontem que as alterações nos estatutos estão previstas na lei, ao mesmo tempo que o Banco de Portugal autorizou tal mudança.
PERFIL
Jorge Manuel Jardim Gonçalves é o maior banqueiro do País, fundador do Banco Comercial Português (BCP).
Casado e com cinco filhos, Jardim Gonçalves nasceu a 4 de Outubro de 1935 no Funchal e é licenciado em Engenharia Civil pela Faculdade de Engenharia do Porto.
Iniciou a carreira bancária no Banco da Agricultura, em Madrid, onde chegou a administrador executivo. Entre 1975/76 passou pelo Banco Popular Espanhol e de Julho de 1977 a Junho de 1985 já, no Porto, fez parte da administração do Banco Português do Atlântico (BPA), onde foi eleito presidente em 1979. O mesmo aconteceu quando foi trabalhar para o Banco Comercial de Macau (BCM).
Católico convicto, Jardim Gonçalves conquistou um império na banca portuguesa depois de, em 1985, ter sido chamado por um grupo de empresários nortenhos, liderado por Américo Amorim, António Gonçalves e Alberto Pinto Basto, para fundar o BCP, onde actualmente é presidente do conselho geral e de supervisão.
BPI DISCORDA DA PROPOSTA
O presidente do Banco Português de Investimento (BPI), Fernando Ulrich, ainda não garantiu a sua presença na assembleia geral do BCP de segunda-feira, mas já fez saber que discorda da alteração dos estatutos, a ser votada no dia 28. Fernando Ulrich opõe--se à blindagem dos estatutos bem como ao reforço dos poderes de Jardim Gonçalves na estrutura do banco. O BPI é um dos principais accionistas do BCP, com mais de 7% do capital, e Ulrich já avançou, em entrevista à Rádio Renascença, que está a equacionar o lançamento de uma OPA sobre o BCP.
SAIBA MAIS
65 milhões de euros foi quanto o BCP gastou com a OPA falhada sobre o BPI, um valor líquido de impostos, segundo disse António Rodrigues, chefe financeiro do banco.
154 milhões de euros foi quanto o BCP captou, no passado mês de Abril, em investimentos através de acções, ou seja, mais 34,9 por cento do que em Março.
O BCP é o maior grupo financeiro privado português, tendo crescido ao longo dos anos através de aquisições como a do CISF, BPA BCM, Sottomayor e Banco Mello.
Américo Amorim foi o primeiro accionista de referência do BCP. Hoje em dia o banco conta com mais de 177 mil accionistas.
No primeiro trimestre de 2007 a instituição financeira lucrou 202,6 milhões de euros.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)