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Correio da Manhã

Economia
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Belmiro paga em sete anos

A Sonaecom compromete-se a pagar ao Banco Santander metade do financiamento da oferta pública de aquisição (OPA) sobre a Portugal Telecom (PT) em apenas dois anos e não prevê, para isso, recorrer à venda de activos. No total são 15,1 mil milhões de euros que Belmiro de Azevedo prevê gastar com esta operação.
28 de Fevereiro de 2006 às 00:00
O compromisso de pagamento vem referido no pedido de registo da OPA ontem entregue à delegação do Porto da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
No documento, a Sonaecom sublinha a disponibilidade dos cerca de 11,1 mil milhões de euros do “montante potencial máximo dos fundos necessários à aquisição da totalidade das acções, ADS e obrigações convertíveis”, assim como dos quatro mil milhões de euros previstos para o refinanciamento do passivo da PT.
A disponibilidade destes montantes é assegurada na totalidade pelo Banco Santander Central Hispano, com quem o grupo liderado por Belmiro de Azevedo celebrou um contrato que prevê “uma primeira amortização de 50 por cento do montante contratado no final do segundo ano e as restantes em prestações anuais de igual valor até ao termo do contrato”, que é de sete anos.
No pedido de registo da OPA, a Sonaecom lamenta a “inexistência de uma verdadeira concorrência no mercado das telecomunicações fixas em Portugal” e traça o objectivo de investir “na rede fixa que for conservada pela Sonaecom/PT, de modo a poder fornecer serviços ‘triple-play’”, ou seja, voz, internet de banda larga e televisão por IP. E com a venda da outra rede a PT terá um importante concorrente.
ADMINISTRAÇÃO REMODELADA
Se a OPA sobre a PT for bem sucedida, o grupo de Belmiro de Azevedo pretende remodelar o conselho de administração da operadora de telecomunicações “de modo a que, pelo menos, a maioria dos seus membros seja constituída por pessoas designadas pela Sonaecom.
No que respeita aos funcionários da PT, a empresa de Belmiro afirma desconhecer “com detalhe” os planos da telefónica quanto à racionalização de efectivos, mas compromete-se a respeitar os compromissos assumidos e a “cumprir escrupulosamente as responsabilidades para com o Fundo de Pensões da Portugal Telecom”.
O documento refere, igualmente, que a Sonaecom pretende “manter e desenvolver na Sonaecom/PT a sua política de investimento contínuo no desenvolvimento de uma ‘Equipa de Excelência’” e lançar um “processo de avaliação de desempenho anual de todos os colaboradores”.
OUTROS DADOS
FUSÃO MÓVEL
A fusão TMN/Optimus pode ser um dos aspectos mais polémicos desta OPA, uma vez que este operador ficaria com uma posição dominante no mercado dos telemóveis. Mas a Sonae disponibiliza-se a aceitar recomendações dos reguladores sobre esta matéria.
VIVO
A Sonaecom admite comprar a participação que a operadora espanhola Telefónica detém na Vivo – o consórcio das operadoras de telecomunicações portuguesa e espanhola no Brasil – para ficar a controlar a empresa. Na altura do anúncio da OPA, Belmiro de Azevedo tinha considerado que “a parceria com a Telefónica na Vivo tem sido muito negativa para a Portugal Telecom”.
PRAZOS
A CMVM tem oito dias para conceder ou recusar o registo, prazo que pode ser interrompido sempre que a CMVM solicitar esclarecimentos complementares à Sonae ou a terceiros. Mas para que a CMVM aceite o registo, é necessária a aprovação do negócio pela Autoridade da Concorrência.
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