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BES com prejuízo histórico de 380 milhões

Banco de Ricardo Salgado obrigado a reforçar a reserva de provisões para eventuais perdas em 1069 milhões de euros

26 de outubro de 2013 às 09:50

O Banco Espírito Santo (BES) abriu ontem o período de apresentação de resultados do setor bancário com um prejuízo histórico de 380 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano. Ricardo Salgado, presidente do BES, fez ainda questão de lembrar a importância do capital angolano para o País e alertar para os riscos de um eventual chumbo do Tribunal Constitucional às medidas de austeridade previstas no Orçamento do Estado (OE).

O número fica bem abaixo dos 90,4 milhões de euros de lucros registados no período homólogo e antecipa aquele que deverá ser mais

um trimestre negro para a banca nacional.

A contaminar as contas está o valor das potenciais perdas registadas no balanço, que ascendem já a 1069 milhões de euros. As provisões para crédito são as que mais penalizam, contribuindo com 779,5 milhões de euros. Já as ações que o BES tem em carteira obrigam a um reforço das reservas em 91,7 milhões e as outras provisões, onde estão incluídos os imóveis, somam mais 197,5 milhões. Ricardo Salgado acredita, ainda assim, que "o crescimento do crédito em risco está a desacelerar de forma significativa", o que poderá levar o banco a aliviar provisões ao longo de 2014, ano em que o BES espera voltar aos lucros. De realçar ainda que o BES tem em carteira 2,1 mil milhões de euros em imóveis, a maioria dos quais entregues a título de recuperação de crédito.

Numa análise ao panorama nacional, Ricardo Salgado não esqueceu a tensão política entre Portugal e Angola e deixou um recado ao Executivo de Passos Coelho: "Há que fazer tudo para que a relação de familiaridade com Angola seja recuperada." Sobre o próximo Orçamento do Estado, o banqueiro lembrou que o ‘fantasma’ de um eventual chumbo do Constitucional ao OE está a criar ansiedade nos mercados. "A pior coisa que nos podia acontecer era um segundo resgate", sublinhou. Já no que toca à venda acelerada de 6,1% da PT feita pela CGD, Salgado disse ter ficado "surpreendido" com a decisão.

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