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Correio da Manhã

Economia
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Beterraba em risco por causa da seca

A falta de água está já a obrigar alguns agricultores a abandonarem as culturas, não providenciando os tratamentos que nesta altura deveriam ser efectuados.
7 de Março de 2005 às 00:00
A cultura da beterraba é uma das que está a ser afectada. Na zona de Ferreira do Alentejo, onde estarão semeados entre 800 a 1000 hectares de beterraba, quem não tem a sorte de possuir água para regar faz bem as contas e, em alguns casos, já não avança com as aplicações de herbicidas e fungicidas. “O agricultor que não dispõe de água abandona a cultura e não faz gastos inutilmente”, explicou João Pinheiro da Silva, produtor de beterraba naquela região.
Por outro lado, nas terras que já deviam estar a ser preparadas para as culturas de beterraba de Primavera/Verão, não se vêem sinais de trabalho nesse sentido. “Os produtores estão a atrasar os trabalhos porque não querem ter encargos sem as garantias de que conseguirão levar as culturas avante, e essas, não as têm”, acrescentou.
A regar desde Dezembro com a água de charcas e de nascentes que possui, o nosso interlocutor receia que o precioso líquido lhe venha a faltar e sente já no bolso o aumento da factura da energia eléctrica.
A cultura está com um atraso “entre os 30 e os 45 dias” pelo que, em vez de a colheita ser no início de Julho, será em finais de Agosto. “Será mais um mês e meio de rega a somar aos que já vêm de trás”, desabafa. No final, quando forem feitas as contas, é certo que a produção ficará aquém das dos últimos anos, que têm ultrapassado as 100 toneladas por hectare.
Numa zona que tem tido índices de produção e de qualidade bons e em que os níveis de impureza são baixos, “tem-se alcançado um apuro que faz com que esta seja considerada uma zona de preferência” para a única fábrica do País, situada em Coruche.
OLIVAIS MENOS PRODUTIVOS
“Pode-se perder um ano de realização produtiva”. É desta forma que Francisco Palma, da Associação de Agricultores do Baixo Alentejo, caracteriza a situação que se vive nos novos olivais que nos últimos anos têm sido plantados na sua região, isto caso a chuva teime em não aparecer. Mesmo que chova, nunca se alcançará a produção de um ano normal.
Este responsável destaca “um grande esforço dos agricultores”, que trabalharam na plantação de 30 mil hectares de novos olivais.
Face à incerteza do futuro, também António Morgado, presidente da Associação Florestal da Margem Esquerda do Guadiana, não mandou este ano podar o seu olival, o que lhe custaria cerca de 5000 euros. “Para o ano as oliveiras estarão sujas e isso prejudicará o trabalho dos vibradores. Como há muita rama, a azeitona terá um diâmetro menor. Mesmo assim, não quis arriscar”, explicou.
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