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Correio da Manhã

Economia
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Bispos receiam mais pobreza

O presidente das Misericórdias diz que se o Governo não avançar com o anunciado programa de emergência haverá muita gente a passar fome.
16 de Julho de 2011 às 00:30
O cardeal D. José Policarpo e D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima
O cardeal D. José Policarpo e D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima FOTO: Rui Miguel Pedrosa
Os bispos portugueses dizem compreender a necessidade de cortar parte do subsídio de Natal a quase metade das famílias portuguesas, mas temem que a medida, associada ao aumento do desemprego e à crise que o País atravessa, venha a provocar um aumento da pobreza em Portugal.

"Parece-nos que os cortes anunciados radicarão, necessariamente, num aumento do número de pobres. Esperamos que o Governo consiga aplicar medidas suplementares que possam atenuar os efeitos destas medidas nas classes mais desfavorecidas", disse ontem o padre Manuel Morujão, no final do Conselho Permanente da Conferência Episcopal (CEP).

Congratulando-se com a preocupação demonstrada pelos bispos, Manuel Lemos, o presidente da União das Misericórdias, considera que "o Governo tem de pensar a sério no anunciado programa de emergência, caso contrário haverá muita gente a passar fome".

"Nós estamos dispostos a colaborar em tudo o que for preciso mas esperamos que o programa seja uma coisa a sério e com a necessária abrangência", disse ao CM Manuel Lemos, lembrando que, "nestas circunstâncias, quem mais sofre são os idosos e as pessoas que se encontram em situação de abandono".

O presidente da CEP, D. José Policarpo, considera que o imposto extraordinário anunciado pelo Governo "tem a vantagem de ser uma medida equitativa e, dentro do possível, socialmente justa", mas alertou para "o perigo de as famílias que têm rendimentos baixos, mas acima do salário mínimo, poderem sofrer dificuldades acrescidas".

"A difícil situação que vivemos implica sacrifícios. Esperamos que a repartição seja o mais justa possível", disse o patriarca de Lisboa.

A Igreja Católica diz também que as IPSS estão a ter "sérias dificuldades" em acorrer a todos os pedidos de ajuda.

GOVERNO ESTÁ A PREPARAR PLANO DE EMERGÊNCIA

O Ministério da Solidariedade e Segurança Social está a trabalhar a contra-relógio num plano de emergência social destinado a proteger os mais desfavorecidos. Segundo apurou o CM, o ministro, Pedro Mota Soares, e o secretário de Estado, Marco António Costa, estão a trabalhar em conjunto e tencionam apresentá-lo, para discussão pública, até ao fim deste mês. Note-se que o plano de emergência é uma promessa de Pedro Passos Coelho feita antes da campanha eleitoral.

BISPOS ALERTA CORTE SUBSÍDIO
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