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Correio da Manhã

Economia
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Bloqueio na Rohde

Os ânimos exaltaram-se ontem à porta da empresa de calçado Rohde, em Santa Maria da Feira, onde os trabalhadores montaram piquetes de vigilância para não deixarem sair camiões carregados de mercadoria. Depois de uma noite de vigília, a paciência dos 1300 trabalhadores esteve por um fio, quando os carros dos administradores saíram das instalações para almoço, debaixo de insultos e sofrendo alguns abanões.
17 de Março de 2007 às 00:00
Os operários, sem perspectivas de receberem os salários, pelo menos enquanto não for encontrada uma solução para a empresa na Alemanha, cumpriram ontem um dia de greve e realizaram uma marcha de protesto até à Câmara da Feira.
“Queremos os nossos postos de trabalho e o dinheiro que nos devem”, gritavam em uníssono. Apesar da esperança de viabilização da Rohde diminuir a cada dia que passa – há indicações de que a ronda negocial na casa-mãe se vai prolongar por toda a semana – os trabalhadores não querem falar de cenários futuros, nem de como vão enfrentar um possível despedimento.
“Foram feitas contas por alto e pensa-se que possam estar cerca de 700 mil euros em dívida para com os trabalhadores. Se este dinheiro não vier através de um empréstimo da banca, terá que ser realizado através do escoamento das mercadorias”, adianta Fernanda Moreira, do Sindicato de Calçado.
De acordo com a administração da empresa em Portugal, que não presta declarações públicas, cada camião vale, à saída da fábrica, 150 mil euros. Este foi o argumento usado para tentar convencer os trabalhadores a deixarem sair os veículos, que, no entanto, se mantiveram inflexíveis, mesmo perante a hipótese de esses valores serem certificados pela empresa e servirem para pagar salários.
“Eles já nos enganaram outras vezes. O que aí está dentro é a única garantia de recebermos o que é nosso”, concluíram.
Os trabalhadores decidiram assim organizar piquetes no portão da Rohde ao longo de todo o fim-de-semana. Na próxima segunda-feira regressam ao trabalho e reúnem-se à tarde em plenário para decidir novas formas de luta, na perspectiva de chegarem notícias da casa-mãe alemã.
APONTAMENTOS
GOVERNO ATENTO
O ministro da Economia, Manuel Pinho, garantiu ontem que o Governo “está a acompanhar o caso da Rohde de perto”. O governante afirmou que esta “é uma empresa que se sabe há muito que tem problemas”, mas cuja solução depende dos juristas que acompanham o caso na Alemanha.
REUNIÃO
O presidente da autarquia da Feira, Alfredo Henriques, comprometeu-se a tentar o agendamento de uma reunião com o Governo para dar conta da situação dos trabalhadores da Rohde, o que poderá acontecer na próxima segunda-feira.
RECOMENDAÇÕES
A central sindical CGTP, secundada pelos partidos de esquerda PCP e BE, recomendou aos trabalhadores que mantenham a união “que têm demonstrado” e não aceitem “soluções individuais” para a resolução dos seus problemas.
TRABALHO
Logo que foi conhecido em Portugal o pedido de insolvência da Rohde na Alemanha, a administração em Portugal pediu aos trabalhadores que continuem a produzir. Estes garantem que, sem dinheiro, não “há condições psicológicas” para continuar a laborar.
PRODUÇÃO
A Rohde está há 31 anos em Santa Maria da Feira e produz quase exclusivamente para a Alemanha. Os trabalhadores têm a receber o salário do mês de Fevereiro.
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