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Correio da Manhã

Economia
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BNP Paribas quer criar 200 empregos em Portugal

O BNP Paribas Securities Services Portugal, unidade do banco francês especializada na liquidação e custódia de títulos, lançado em 2007 com cinco pessoas e que conta já com 800 colaboradores, quer contratar mais 200 funcionários nos próximos dois anos.
30 de Outubro de 2012 às 19:29
O BNP Paribas Securities Services Portugal prevê exportar serviços no valor de 160 milhões de euros ao longo de cinco anos
O BNP Paribas Securities Services Portugal prevê exportar serviços no valor de 160 milhões de euros ao longo de cinco anos FOTO: Carolina Cravinho/Jornal de Negócios

"O compromisso do banco é continuar a crescer e a criar postos de trabalho em Portugal. Quando iniciámos esta operação tínhamos cinco colaboradores e no plano de negócios inicial contávamos com uma expansão até aos 274 funcionários. Porém, hoje já temos 800 trabalhadores e o objectivo é criar mais 100 postos de trabalho em 2013 e mais 100 lugares em 2014", revelou à agência Lusa Fabrice Segui, director geral do BNP Paribas Securities Services Portugal.

Refira-se que o BNP Paribas conta actualmente com 1500 empregados em Portugal, 800 dos quais ligados à área de liquidação e custódia de títulos, ao tratamento de fundos de pensões e de investimento e à prestação de serviços a emitentes.

A provar esta intenção de continuar a crescer no mercado português está a recente aposta num novo edifício que possibilitará a esta unidade do banco empregar até 1400 pessoas. Neste momento, existem 600 colaboradores a trabalhar no Parque das Nações e 200 funcionários no edifício da Avenida Gago Coutinho, para onde foi transferida a área de suporte tecnológico da entidade.

"Temos um compromisso de longo prazo com Portugal, pelo que estamos a centralizar em Lisboa as competências para a Europa nesta área", explicou, sublinhando que a capital portuguesa foi escolhida pela relação única entre a gestão dos custos e a qualidade dos serviços.

"Vários países foram estudados antes de instalar esta operação. Na Europa, era importante ficar na Zona Euro e na área da Euronext [gestora pan-europeia das bolsas de Paris, Bruxelas, Amesterdão e Lisboa, bem como do mercado de derivados de Londres, que entretanto se associou à norte-americana NYSE]", afirmou Fabrice Segui, explicando que Lisboa apresenta ainda a vantagem de estar perto de Paris (sede do BNP Paribas) e de partilhar os valores culturais do país de origem do BNP Paribas.

A segurança, a qualidade das infra-estruturas e dos recursos humanos, bem como a questão dos custos, levaram o banco a optar pela capital portuguesa, sublinhou, acrescentando ainda que o BNP Paribas já estava presente em Portugal, o que também ajudou à escolha.

Além da Europa, também o mercado brasileiro é assegurado através do trabalho desenvolvido em Lisboa, devido à questão linguística. As restantes operações na América do Norte e na América Latina estão concentradas na cidade norte-americana King of Prussia (Pensilvânia) e as asiáticas em Chennai, na Índia.

O BNP Paribas Securities Services Portugal é o centro operacional ['dual office'] que assegura a continuidade de serviços para a eventualidade de algum evento impedir as operações localizadas nos restantes países europeus (Alemanha, Bélgica, Espanha, França, Holanda, Itália, Luxemburgo, Jersey, Reino Unido, o próprio Portugal) e o já mencionado Brasil de prosseguirem o seu trabalho.

"Decidimos abrir um espaço para duplicar as actividades, para o caso de alguma coisa correr mal, o negócio não para", frisou o responsável.

 


O banco detém uma quota de mercado de 40% e o gestor vê "algum potencial para crescer", sendo que, para atingir os 50% ou 60% de quota será necessário envolver os bancos portugueses "que queiram aceder aos serviços de um 'player' [actor] global".

O BNP Paribas Securities Services Portugal prevê exportar serviços no valor de 160 milhões de euros ao longo de cinco anos, tendo Fabrice Segui avançado à Lusa que este ano o volume de exportação atingirá os 25 milhões de euros, depois de terem sido exportados serviços no valor de 20 milhões de euros em 2011 e de 15 milhões de euros em 2010.

"Estamos a planear crescer em 2013, 2014 e 2015", vincou, admitindo que a crise (especialmente grave em Portugal) "afecta um pouco a rentabilidade da operação".

Ainda assim, a recessão "não tem grande impacto no global da operação", disse, explicando que o modelo de negócio foi decidido antes da crise e que é um objectivo do banco estar bem implementado no mercado para beneficiar com a retoma económica que se seguirá a este período difícil.

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