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BPI passa área de investimento para CaixaBank e extingue sociedade de capital de risco

Banco presidido por Pablo Forero convocou uma assembleia-geral de obrigacionistas para o próximo dia 16 de Novembro.

15 de outubro de 2018 às 20:49

O BPI vai fazer uma nova reorganização da sua estrutura. A área de investimento, que esteve na origem da instituição financeira, vai ser transferida para o CaixaBank. Já a sociedade de capital de risco será incorporada na casa-mãe.

O banco presidido por Pablo Forero convocou uma assembleia-geral de obrigacionistas para o próximo dia 16 de Novembro com o ponto único na ordem de trabalhos: apreciação da fusão por incorporação do Banco Português de Investimento e da BPI Private Equity – Sociedade de Capital de Risco no Banco BPI.

O Banco BPI é a casa-mãe do grupo em Portugal, a área da banca comercial e aquela em que o CaixaBank tem querido centrar a instituição financeira. E é aqui que vão ser integradas as duas outras sociedades. Mas há um caminho diferente a seguir por ambas.

Sucursal em Portugal

O Banco Português de Investimento é a unidade do Banco BPI onde está o negócio de acções e de corporate finance. Esta área estava já sob uma parceria com o CaixaBank, tanto na área de "research" como na consultoria. Só que "o Banco BPI e o CaixaBank entenderam, posteriormente, que seria desejável aprofundar a cooperação entre ambas as entidades", nomeadamente "através da plena integração dessas atividades", segundo explica o projeto de fusão publicado esta segunda-feira, 15 de Outubro.

Assim, ficou decidido que o CaixaBank iria receber aquelas áreas que estão atualmente no universo BPI.

Para isso, o CaixaBank vai constituir uma sucursal em Portugal para onde vão ser transferidas as linhas de negócio de ações e de corporate finance que atualmente estão no Banco Português de Investimento.

Esta transmissão, antecipa a instituição que tem o CaixaBank como dono de 95% do capital, deverá ocorrer até ao final deste ano.

Só depois dessa transferência para esta sucursal é que o Banco Português de Investimento, já praticamente esvaziado de ativos, segue para o Banco BPI.

Capital de risco passa diretamente

Já a atividade de capital de risco do BPI deixará de ser feita autonomamente. Esta sociedade, com uma carteira de 78 milhões de euros de fundos de capital de risco, irá ser incorporada pelo Banco BPI. Além destes fundos, tem ainda posições em vários fundos de recuperação de empresas geridos por empresas como a ES Capital e a Capital Criativo.

Os objectivos do BPI

Estas transações "têm como objetivo centrar o enfoque do Banco BPI na atividades da banca comercial em Portugal contribuindo, simultaneamente, para simplificar a estrutura do grupo", explica o banco no projeto de fusão, que tem de passar por assembleias-gerais de obrigacionistas, tendo em conta as emissões do BPI.

O BPI avança com várias justificações para a operação. Há uma eliminação da estrutura jurídica "redundante", desde logo porque o Banco Português de Investimento já que, como passa o grosso dos seus ativos para o CaixaBank, fica com uma "atividade meramente residual".

Depois, a gestão de Pablo Forero aposta na simplificação da estrutura do BPI, bem como na redução do peso "operacional e burocrático", atualmente disperso por sociedades autónomas. Há uma "importante poupança de custos directamente decorrente da extinção daquelas sociedades". Deixa de haver aprovação de contas, reportes fiscais e outras obrigações referentes às duas sociedades que são integradas e posteriormente extintas.

A operação carece ainda de autorizações, nomeadamente do Banco de Portugal e da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (no que diz respeito às responsabilidades com pensões dos trabalhadores das áreas do Banco Português de Investimento), bem como das assembleias-gerais de obrigacionistas.

Um caminho a ser feito

O BPI tem passado para o seu principal acionistas vários negócios, desde os seguros do ramo vida à gestão de ativos e à banca de investimento, com o intuito de se centrar na banca comercial. O CaixaBank recusa que haja um esvaziamento do banco português e que está apenas a aproveitar as sinergias que pode retirar com a instituição.

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