Barra Cofina

Correio da Manhã

Economia
8

BPN: Portas acusa Governo de mentir

O líder do CDS-PP acusou este domingo o Governo de ter mentido em relação ao BPN e exigiu que o Executivo tenha rapidamente um rumo para o banco porque "é dinheiro que foi para tapar um buraco sem fundo".
6 de Março de 2011 às 15:33
Paulo Portas
Paulo Portas FOTO: António Cotrim/Lusa

Paulo Portas lembrou que, no sábado, o Governo de José Sócrates, através do secretário de Estado do Tesouro e Finanças, revelou quanto é que o BPN custou aos cofres do Estado - dois mil milhões de euros - e que esse valor deve ser contabilizado no défice de 2008.  

O líder centrista defendeu que o CDS sempre teve razão em relação às desvantagens deste negócio para o Estado e acusou o Governo de ter criado uma "ilusão" em vez de ter tido uma atitude rigorosa.  

O líder do CDS-PP sublinhou que numa primeira fase o Governo garantiu  que "o BPN não teria custos para o contribuinte e que como não teria custos,  não teria de ir ao défice", depois a versão mudou para que "o Estado apenas  dava garantias e avales à Caixa Geral de Depósitos e que só em caso de incumprimento é que essas garantias seriam acionadas", para terminar dizendo que "talvez  houvesse uma imputação à dívida, mas não ao défice".  

"Tivemos primeiro uma mentira porque o BPN teve custos elevadíssimos, depois uma falácia porque os avales foram para um buraco sem fundo e finalmente a ideia, que é um logro, de que imputação seria apenas à dívida e não ao défice", acusou Paulo Portas, para quem "a realidade chegou agora nua e  crua".  

Consequentemente, o líder centrista entende que o Governo tem de se explicar e esclarecer se se vão ao défice os dois mil milhões de euros, o que é que vai acontecer com os avales dados depois de 2008.

Por outro lado, Paulo Portas quer saber "o que quer o Governo fazer com o BPN porque quanto mais tempo a indecisão se arrastar, mais o contribuinte pode ser lesado e o sistema financeiro português não sai beneficiado".  

"Já ouvimos falar em privatização, que falhou, depois outra vez privatização,  depois integração na Caixa [Geral de Depósitos], depois constituição de  um banco para fomentar a integração da dotação das empresas. Já ouvimos  de tudo, mas não sabemos qual é o rumo que o Governo tem e é bom que o tenha  e depressa", desafiou. 

Paulo Portas disse que o Governo tem também de explicar com que segurança  jurídica é que fazer imputação ao défice" porque se trata de um assunto  "demasiado sério". 

O líder do CDS-PP deixou ainda a garantia de ter muitas perguntas preparadas  sobre o assunto para quando o ministro das Finanças for ao Parlamento.  

paulo portas cds-pp bpn governo
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)