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Correio da Manhã

Economia
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BPP: Rendeiro diz que é "responsável moral por tudo"

O fundador do BPP, João Rendeiro, revelou esta quinta-feira no seu blogue que assume a "responsabilidade moral em abstravto" por tudo o que se passou no banco, mas que só dará mais explicações depois de concluídas as investigações das autoridades.
13 de Janeiro de 2011 às 20:27
Rendeiro diz que não pode assumir sozinho "as responsabilidades de reguladores e operadores do sistema financeiro nacional e internacional, numa lógica bem conhecida em que se houver um 'bode expiatório' os outros passam pelos pingos da chuva"
Rendeiro diz que não pode assumir sozinho 'as responsabilidades de reguladores e operadores do sistema financeiro nacional e internacional, numa lógica bem conhecida em que se houver um 'bode expiatório' os outros passam pelos pingos da chuva' FOTO: Arquivo CM

"Em matéria de Banco Privado Português [BPP] eu sou responsável moral por tudo, repito por tudo", escreveu João Rendeiro, que presidiu o banco até à intervenção do Banco de Portugal, no final de 2008.         

"Toda a gente sabe que os reguladores e o Ministério Público estão a desenvolver as suas investigações sobre o caso BPP. Nesta sequência, penso que qualquer pessoa razoável aceita que eu não posso, além - repito - de assumir a responsabilidade moral em abstracto, dar explicações em concreto para acusações, por ora, inexistentes, e que ninguém sabe quais são", anunciou.

Porém, João Rendeiro diz que não pode assumir sozinho "as responsabilidades de reguladores e operadores do sistema financeiro nacional e internacional, numa lógica bem conhecida em que se houver um 'bode expiatório' os outros passam pelos pingos da chuva".          

Alertando que "ou há moralidade ou comem todos", o antigo presidente do BPP disse que "no caso BPP há várias pessoas e entidades que terão que se explicar".          

E sublinhou que acha "saudável que se faça um 'post-mortem' sério para tirar as devidas ilações, punindo responsabilidades e corrigindo procedimentos"  que levaram à retirada da licença bancária pelo supervisor.          

"Mas aqui, também, vamo-nos entender: Não aceitarei a lógica do bode expiatório. Reafirmo que há muita matéria que não é conhecida publicamente, mas que o será no momento oportuno", escreveu.         

João Rendeiro assegurou que não falará publicamente do processo BPP "até que seja formulada, ou não, uma acusação" pelas autoridades competentes.        

"Igualmente, não responderei a opiniões ou comentários de analistas ou jornalistas que inevitavelmente se fazem sobre esta matéria. Não aceitarei  a lógica da gritaria, segundo a qual quem gritasse mais alto nos média seria o ganhador", informou.         

Recordando que, em defesa da honra, exerceu procedimento judicial contra Joe Berardo e Miguel Sousa Tavares, João Rendeiro declarou que "só em circunstâncias muito extremas" colocará mais processos a correr nos tribunais.         

"Sou, igualmente, completamente solidário com a angústia e sofrimento irreparáveis com que viveram e vivem os clientes do BPP", concluiu.         

A falta de liquidez da instituição motivou a intervenção do Banco de Portugal, no final de 2008, tendo o supervisor bancário nomeado uma equipa  de gestores liderada por Fernando Adão da Fonseca, que encerrou o seu ciclo na administração do BPP em meados de Abril, quando a entidade agora liderada por Carlos Costa retirou a licença bancária da instituição, tendo então sido nomeada pelo Banco de Portugal a comissão liquidatária do banco, presidida por Luís Máximo dos Santos, que se encontra em funções.  

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