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Correio da Manhã

Economia
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Bruxelas recomenda "garantia da juventude" para combater o desemprego

A Comissão Europeia recomendou esta quarta-feira aos Estados-membros a criação de uma "garantia da juventude", uma iniciativa que visa garantir que os jovens até aos 25 anos têm oportunidades formativas ou profissionais depois de acabarem os estudos.
5 de Dezembro de 2012 às 13:11
Em Portugal, o desemprego atingia 39,1% dos jovens, em Outubro
Em Portugal, o desemprego atingia 39,1% dos jovens, em Outubro FOTO: Pedro Catarino

A recomendação da "Comissão Barroso" faz parte de um conjunto de medidas destinadas a combater os "níveis inaceitáveis" de desemprego jovem que foi apresentado esta quarta-feira, em Bruxelas, quando há mais de 5,6 milhões de jovens desempregados na União Europeia (UE).

A introdução da "garantia da juventude" tem como objectivo "assegurar que todos os jovens até aos 25 anos recebam uma oferta de qualidade de emprego, de continuação dos estudos, de contratos de aprendizagem ou de estágio profissional, no prazo de quatro meses após terem terminado o ensino convencional ou de terem ficado desempregados", explica Bruxelas.

Na recomendação, a Comissão Europeia apela aos Estados-membros para que estabeleçam "parcerias sólidas", assegurem uma "intervenção precoce" dos serviços de emprego e outros parceiros que apoiam os jovens, tomem medidas de apoio à integração no mercado de trabalho e tirem "pleno partido" do Fundo Social Europeu e outros fundos estruturais.

No âmbito do pacote de medidas para fomentar o emprego jovem, Bruxelas lança um processo de consulta dos parceiros sociais europeus sobre um quadro de qualidade para os estágios, tendo em vista permitir que os jovens adquiram experiência profissional de qualidade em condições seguras.

A Comissão Europeia anuncia ainda uma Aliança Europeia para a Aprendizagem e aponta várias opções para reduzir os obstáculos à mobilidade dos jovens.

"Um elevado nível de desemprego juvenil tem consequências dramáticas para as nossas economias, as nossas sociedades e, acima de tudo, para os jovens. É por este motivo que temos de investir já nos jovens europeus", afirmou o comissário europeu responsável pelo Emprego, Assuntos Sociais e Inclusão, László Andor.

Advertindo que a ausência de qualquer acção para combater o desemprego jovem "teria custos catastróficos", o comissário defendeu que as medidas apresentadas hoje vão ajudar "os Estados-membros a assegurar a transição bem sucedida dos jovens para o mercado de trabalho".

O custo económico da não integração dos jovens no mercado de trabalho foi estimado pela Eurofound em mais de 150 mil milhões de euros por ano, ou seja, 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) da UE.

A alguns países, como a Bulgária, Chipre, a Grécia, a Hungria, a Irlanda, a Itália, a Letónia e a Polónia, custa-lhes 2% ou mais do seu PIB.

Em Outubro, 5.678 milhões de jovens estavam desempregados na UE, 3.609 dos quais na zona euro, segundo os últimos dados divulgados pelo Eurostat.

A taxa de desemprego entre os jovens atingiu mais de 25% em 13 Estados-membros, com a Grécia e a Espanha a enfrentarem taxas superiores a 55%.

Em Portugal, o desemprego atingia 39,1% dos jovens, em Outubro.

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