Barra Cofina

Correio da Manhã

Economia
1

Cabo lidera queixas

A DECO atendeu 250 mil consumidores em 2007, entre pedidos de esclarecimento e queixas, e interveio em oito mil processos com resolução extrajudicial. As telecomunicações lideram, tal como no ano passado, as queixas e é nesse sector que há registo de situações mais graves.
28 de Dezembro de 2007 às 00:00
As telecomunicações foram responsáveis por cerca de 40 mil contactos com a DECO, tendo-se destacado neste sector a Tele 2 com “práticas agressivas” para angariar clientes e a posterior dificuldade na respectiva desvinculação. “Houve aldeias inteiras invadidas por agentes da Tele 2. Quando soubemos do que se estava a passar contactámos a empresa e eles comprometeram-se a não considerar os contratos”, explicou ao Correio da Manhã fonte da DECO.
Se a Tele 2 foi a mais agressiva, a TV Cabo foi a empresa que mais queixas teve devido à “fraca qualidade de serviço”. A TMN aparece em segundo lugar sobretudo devido a campanhas publicitárias que induziam em erro.
A compra e venda de serviços originou 38 mil contactos com a associação de consumidores. Nestes casos os pedidos de informação e as queixas prenderam-se com a aplicação de garantias inferiores às legais e a dificuldade de accionamento das mesmas. A Worten, Fnac, Gigashopping, The Phone House lideram as reclamações recebidas.
A facturação é o principal problema nos serviços públicos essenciais (água, gás e electricidade) com dez mil consumidores a contactarem a DECO.
A associação regista ainda nove mil contactos devido a problemas bancários (sobretudo relacionados com comissões e penalizações nas amortizações) e oito mil relacionados com a compra, venda e reparação de veículos automóveis.
A intervenção da DECO em oito mil processos extrajudiciais saldou-se numa taxa de sucesso de 75 por cento. A associação constatou ainda o aumento de queixas com companhias aéreas, nomeadamente a TAP. Extravios, atrasos, danos nas bagagens e cancelamentos de voos são os principais motivos, de acordo com a DECO, que considera que a “inércia do Instituto Nacional de Aviação Civil prejudica os consumidores”.
A associação defende “medidas que obriguem as companhias [aéreas] a cumprirem a lei”.
CONSTÂNCIO DEVE INTERVIR
O Banco de Portugal, liderado por Vítor Constâncio, deve tomar uma “iniciativa legislativa para a criação de um sistema que compense o consumidor pela violação das regras bancárias”, defende a DECO. O número de reclamações relativas aos bancos “comprovam que algumas das suas práticas violam a lei”, dando como exemplo os arredondamentos, das comissões pela amortização antecipada de crédito à habitação e a falta de informação relativa ao crédito ao consumo. A associação recebeu este ano, entre pedidos de informação e queixas, nove mil consumidores. Neste sector, e também neste ano, os pedidos de apoio relativos ao sobreendividamento aumentaram. Por outro lado, considera ainda a DECO, “o princípio do crédito responsável deve ser objecto de regulamentação, evitando-se desta forma a concessão de crédito fácil, imediato e pretensamente barato”.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)