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Correio da Manhã

Economia
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CAIAQUES PORTUGUESES NAS OLIMPÍADAS DE ATENAS

Manuel Ramos, construtor de caiaques e proprietário da Mar Kayaks, afirmou-se com originalidade e êxito no sector; a tal ponto, que a empresa já construiu 78 embarcações exclusivamente para os Jogos Olímpicos de 2004, na Grécia
4 de Janeiro de 2004 às 00:00
– Para a Mar Kayaks fornecer embarcações destinadas aos Jogos Olímpicos de Atenas, qual foi o trunfo?
– O maior trunfo passou pelo uso de materiais de última geração, mas, acima de tudo, a sua correcta adaptação à especificidade do desporto. Essa combinação é que marcou a diferença.
– Como é que tudo se processou?
– A Mar Kayaks ganhou um concurso público lançado pela Federação Internacional de Canoagem, que decorreu durante três meses e em diversas etapas. Os critérios de selecção foram variados. Numa primeira fase, avaliou-se a qualidade das embarcações e do serviço. Depois, as empresas concorrentes ficaram reduzidas a duas. Na segunda fase de selecção, avaliou-se a solidez financeira das empresas concorrentes, bem como os seus desempenhos em termos de ‘cash flow’ e rendibilidade. Com esta avaliação, a Mar Kayaks passou à terceira etapa, em que se confirmaram as condições para a assinatura do contrato.
– A Mar Kayaks tem dimensão à escala mundial?
– Neste momento, somos um dos maiores construtores mundiais de caiaques de competição. Estamos com agentes em mais de 35 países e ainda temos alguma margem de crescimento.
– E depois das Olimpíadas de 2004?
– A escolha para sermos o fornecedor oficial dos Jogos Olímpicos é o reconhecimento internacional de todo um trabalho ao longo de duas décadas. Depois de Atenas, o desafio é manter a nossa posição no mercado e, dessa forma, solidificar ainda mais a marca na canoagem a fim de permitir a expansão para outros mercados.
– Como é que a empresa se estreou no mercado internacional?
– Os primeiros países foram Espanha e Inglaterra, uma vez que eram aqueles com os quais a nossa modalidade tinha mais intercâmbios. As primeiras medalhas foram no princípio da década de 90, e o nosso nome na modalidade foi projectado internacionalmente. Neste tipo de mercado, as medalhas e os resultados são essenciais.
– A Mar Kayaks fabrica apenas caiaques?
– Fabricamos também embarcações de remo. Talvez seja uma das nossas grandes apostas para o futuro.
PERFIL
Manuel Ramos decidiu, em 1978, construir embarcações para a prática desportiva. O objectivo foi o de satisfazer as necessidades dalguns clubes e atletas. Então, a canoagem estava em fase embrionária no nosso país, que importava embarcações. O empresário apostou em algo novo e é um grande exemplo de êxito. O trunfo de Manuel Ramos tem sido o uso de materiais de última geração adaptados à especificidade do desporto.
HÁBITOS DE VIDA
REINVESTIR
O fundador da empresa Mar Kayaks tem por hábito nunca ver o lucro como referência. O construtor de caiaques tem prazer na expansão da actividade empresarial, o que significa mais geração de riqueza. Mas “a política da empresa que fundei em 1978, então com o nome de Canoas Nelo, passa pelo reinvestimento de todos os proveitos criados.”
MOTORES
Como a vida não é só actividade empresarial, Manuel Ramos consegue arranjar algum tempo para retemperar forças e até inovar, quer na gestão, quer nos produtos fabricados pela Mar Kayaks.
Para tal, contribuem os momentos dedicados ao desporto motorizado. Concretamente, meter a fundo o pedal do ‘karting’ em autódromos.
GASTRONOMIA
Outra das paixões de Manuel Ramos é a comida. Adora a portuguesa e não só, porque conhece os sabores de quase todo o Mundo. Viaja muito, por causa das encomendas à Mar Kayaks, e saboreia os mais variados pratos, mesmo os exóticos da Tailândia. Quando não sai do País em trabalho, fá-lo para um requintado turismo gastronómico.
B.I.
A Mar Kayaks nasceu em Vila do Conde no ano de 1978, fundada por Manuel Ramos. Então, a área da empresa era de 80 metros quadrados e tinha apenas um funcionário. Foi crescendo, crescendo, graças à capacidade empreendedora de Manuel Ramos. Hoje, é uma fábrica de raiz, adaptada à produção de embarcações para a prática de canoagem e remo, em Mosteiró, Vila do Conde. A área coberta totaliza, agora, 1700 metros quadrados; a de produção, 2500 metros quadrados. E os funcionários são 40. A facturação, no corrente ano, deve totalizar 1,7 milhões de euros. A verba corresponde ao fabrico de mais de 1200 embarcações.
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