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Correio da Manhã

Economia
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Caixa Geral de Depósitos ajuda a salvar Qimonda

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) vai ajudar a salvar a Qimonda, a maior exportadora nacional que emprega directamente cerca de duas mil pessoas, apurou o Correio da Manhã. O empréstimo concedido, no valor de 100 milhões de euros, vai juntar-se ao de outras duas entidades, permitindo injectar na empresa 325 milhões de euros.
22 de Dezembro de 2008 às 00:30
O primeiro-ministro, José Sócrates, e o ministro  da Economia, Manuel Pinho, na assinatura de minutas contratuais do Estado com a Qimonda a  24 de Outubro de 2006, em São Bento.
O primeiro-ministro, José Sócrates, e o ministro da Economia, Manuel Pinho, na assinatura de minutas contratuais do Estado com a Qimonda a 24 de Outubro de 2006, em São Bento. FOTO: Lusa

Com este empréstimo de 100 milhões de euros da CGD, outro de 150 milhões de euros do estado alemão da Saxónia e um terceiro financiamento de 75 milhões de euros da Infineon, maior accionista da Qimonda, a produtora de chips e semicondutores vai continuar em actividade, depois de ter admitido a falência no início do mês.

"Em troca, a Qimonda comprometeu-se a desenvolver mais as suas unidades de investigação e desenvolvimento em Portugal, Vila do Conde, e na Alemanha, em Dresden", refere a empresa em comunicado.

Sediada em Vila do Conde, é actualmente a maior fábrica europeia de montagem e teste de produtos de memórias, pertencendo à multinacional Qimonda AG, com sede na Alemanha. A produção de semicondutores, nomeadamente de memórias DRAM, é destinada a computadores, servidores e outros terminais digitais, como leitores de MP3, telemóveis, câmaras fotográficas digitais e consolas de jogos, entre outros.

TRANFERÊNCIA TECNOLÓGICA BENEFICIA PAÍS

O plano de salvamento da Qimonda vai, não só permitir o emprego, mas também reforçar a transferência de tecnologia para o País, considerou o ministro da Economia. "A situação era extremamente séria, por duas razões: a crise internacional e também a rapidíssima mudança tecnológica que se está a verificar neste sector. Era necessário que a Qimonda tivesse condições para ultrapassar um período de seis meses a um ano, que era mais difícil", disse Manuel Pinho. "Estão encontradas as soluções e, naturalmente, estamos muito contentes por o maior exportador português ter condições para continuar no País", disse.

RANKIMG DOS MAIORES EXPORTADORES

1 l Qimonda Portugal SA

2 l Petrogal

3 l Autoeuropa Automóveis, Lda

4 l Repsol Polímeros, Lda

5 l Peugeot Citroën Automóveis Portugal

6 l Soporcel

7 l Continental Mabor – Ind. de Pneus, SA

8 l Portucel –

Empresa Produtora de Pasta e Papel, SA

9 l Somincor – Sociedade Mineira de Neves Corvo, SA

10 l Visteon Portuguesa, Lda

"NUNCA CHEGUEI A TEMER A INSOLVÊNCIA DA QIMONDA":  Mário de almeida Presidente da Câmara de Vila do Conde

Correio da Manhã – De que forma a Câmara acompanhou a situação da Qimonda?

Mário de Almeida – Estivemos em contacto com a administração da empresa. Sabíamos que os problemas não residiam ao nível local, mas sim no grupo, e cá verificavam-se por arrastão. Não estava em causa a produtividade, apenas a procura. A empresa tem vindo a crescer nos últimos anos, por isso nunca temi a insolvência da Qimonda.

– Mas caso se concretizasse o encerramento da Qimonda, que consequências haveria a nível local?

– Era altamente preocupante que isso pudesse acontecer. A Qimonda tem mais de dois mil trabalhadores directos, só em Vila do Conde, mas serão muitas mais pessoas, particularmente mão-de--obra qualificada na área das tecnologias. O impacto não era apenas em Vila do Conde. Até porque a empresa tem uma política de investimento local e prepara-se para um novo investimento, do qual detém quase 50%, que representa cerca de 100 milhões de euros, e que em 2009 deve assegurar mais 200 postos de trabalho.

– A Qimonda procurou a autarquia no sentido de obter qualquer tipo de apoios?

– Não, nunca houve nenhum contacto, o que até é normal quando alguma empresa enfrenta dificuldades. Nem eu estava devidamente alertado para a situação, mas quando soube, há cerca de três semanas, do que se passava contactei a administração no sentido de obter alguns esclarecimentos.

– No novo investimento da Qimonda, a Câmara prestou algum apoio?

– O normal é que a nossa colaboração seja mais ao nível de facilitar as burocracias, desbloqueando terrenos, confirmar com o Plano Directório Municipal, por exemplo. A motivação da autarquia é saber que está a trazer investimento e a criar emprego para a região.

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