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Correio da Manhã

Economia
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Caixa já paga a casa a mais de 12 mil famílias

Banco cobrou 307 milhões até setembro. Em 2020 não haverá mais aumentos.
Miguel Alexandre Ganhão(miguelganhao@cmjornal.pt) 9 de Novembro de 2019 às 07:34
Paulo Macedo
Paulo Macedo preside ao banco
Paulo Macedo
Paulo Macedo preside ao banco
Paulo Macedo
Paulo Macedo preside ao banco
São já mais de 12 mil as famílias clientes da Caixa Geral de Depósitos (CGD) que estão a beneficiar diretamente da existência de juros negativos no crédito à habitação, disse esta sexta-feira ao CM o presidente do banco público, Paulo Macedo durante a apresentação dos resultados relativos ao terceiro trimestre do ano. No total, o banco público vai pagar, em 2019, cerca de 500 mil euros nos empréstimos para a compra de casas que já beneficiam dos juros negativos.

A CGD registou lucros de 641 milhões de euros até setembro. Estes resultados estão muito influenciados pela venda do Banco Caixa Geral (Espanha) e Banco Mercantile (África do Sul). Se analisarmos apenas a operação corrente, os lucros são de 481,4 milhões.

Só em comissões o banco cobrou 3017 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano. Uma subida de 1,4% face a 2018. O tema das comissões foi, aliás, aquele que mais tempo ocupou o presidente executivo da CGD. Paulo Macedo quis desconstruir a imagem de que o banco público penaliza os depositantes, em especial, os mais frágeis.

"No plano de recapitalização da CGD, que o Estado assinou com a Direção-Geral da Concorrência, estava previsto que o banco podia aumentar as comissões em 100 milhões de euros até 2020", disse o presidente da CGD, garantindo que essa meta não será atingida e que em 2020 não haverá, em condições normais, nenhum aumento das comissões. Acrescentando que, dos 3,6 milhões de clientes da CGD, 1,2 milhões estão isentos do pagamento de comissões.

Em relação à auditoria da Ernst & Young que revelou os negócios ruinosos do banco público, Paulo Macedo disse que "alguns ex-gestores já responderam, mas que a CGD quer ouvir todos". "Os advogados vão elaborar um parecer e será feita uma sugestão ao acionista, a quem competirá colocar ações em tribunal", afirmou.

Novo Banco regista prejuízo de 572 milhões de euros
O Novo Banco teve um prejuízo de 572,3 milhões de euros desde janeiro até final de setembro, o que corresponde a um agravamento superior a 150 milhões face ao resultado negativo de quase 420 milhões de euros em igual período de 2018. Em comunicado, a instituição liderada por António Ramalho refere que as contas continuam a ser penalizadas pela herança do BES, que gerou perdas de 712,4 milhões.
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