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Correio da Manhã

Economia
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Câmara de Cascais compra autódromo

Está por dias a celebração do acordo de compra do Autódromo do Estoril pela Câmara Municipal de Cascais. Segundo afirmou ao Correio da Manhã o vice-presidente da autarquia, Carlos Carreiras, “o negócio deverá concretizar-se até ao fim deste mês”.
4 de Outubro de 2007 às 00:00
Ficará definido este mês o destino da propriedade do Autódromo do Estoril
Ficará definido este mês o destino da propriedade do Autódromo do Estoril FOTO: Marta Vitorino
A autarquia liderada por António Capucho está interessada na compra à Parpública (sociedade do Estado que é dona do autódromo), mas o valor do negócio será muito inferior aos 34 milhões de euros pedidos por aquela sociedade gestora de participações sociais.
Carlos Carreiras afirmou que “a autarquia nunca irá aprovar a viabilização de um projecto imobiliário nos terrenos do autódromo. Penso que a Parpública já percebeu isso e já entendeu que o desenvolvimento daquela infra-estrutura tem de ser feito em parceria com a Câmara de Cascais”.
Segundo aquele responsável, para além da aquisição, está também a ser estudada uma outra alternativa: “Se a Parpública quiser ficar com a propriedade do autódromo, estamos disponíveis para tomar conta da concessão da exploração do recinto”. Esta concessão, de acordo com o autarca, teria de ser semelhante àquela que foi negociada com o Estado para a exploração da cidadela de Cascais, “estamos a falar de um prazo não inferior aos 75 anos”.
Depois de definida a propriedade daquele complexo desportivo, a autarquia prevê abrir o capital do autódromo a privados de modo a rentabilizar aquela infra-estrutura.
A Parpública já reestruturou as sociedades que administram o autódromo, criando a CE – Circuito do Estoril, S.A., tendo por objectivo a evolução da sua estrutura accionista.
UM NEGÓCIO QUE DEU EM INQUÉRITO
Para garantir o Grande Prémio de Fórmula 1 em 1998, o Governo de António Guterres, através do ministro das Finanças, Pina Moura, negociou com o Grupo Grão-Pará a compra daquela infra-estrutura. O Grupo liderado por Fernanda Pires da Silva devia ao Estado cerca de 100 milhões de euros, que foram “perdoados” em troca do autódromo e do hotel Atlantis na Madeira. O negócio foi objecto de um inquérito parlamentar.
GOVERNO PREPARA VENDA
Nas orientações estratégicas definidas pelo Governo para a Parpública até 2009, encontra-se a “preparação para venda ou a entrada de um parceiro” na sociedade CE – Circuito Estoril, S.A. Para além deste objectivo, a CE tem como finalidade “manter a exploração do autódromo, reforçando as suas valências complementares”.
SAIBA MAIS
1972
Foi o ano da inauguração do complexo do Autódromo do Estoril. Na cerimónia esteve presente o então Presidente da República, Américo Tomaz.
2009
Era o período de tempo em que o protocolo celebrado entre o Estado e o Grupo Grão-Pará previa a realização do Grande Prémio de F1.
ATLANTIS
No acordo de compra foi incluído o hotel Atlantis, demolido para o alargamento do aeroporto.
ABEL PINHEIRO
Filho de Fernanda Pires da Silva reclama do Estado um crédito de 17 milhões de euros.
PORTUCALE
O gestor da Grão-Pará, Abel Pinheiro, foi apanhado num processo de tráfico de influências.
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