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Correio da Manhã

Economia
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Câmara exige 1,3 milhões a ‘Barão’

Há três meses que não há qualquer contacto entre a Câmara de Abrantes e a RPP Solar, a empresa de painéis solares que há dois anos prometeu investir mil milhões de euros e criar 1900 postos de trabalho no concelho. A menos de um mês de expirar o prazo concedido a Alexandre Alves, conhecido por ‘Barão Vermelho’, para concretizar a 1ª fase do projecto, as obras ainda nem sequer recomeçaram.
21 de Dezembro de 2011 às 01:00
Maria do Céu Albuquerque diz que “há sinais contraditórios” no projecto de Alexandre Alves
Maria do Céu Albuquerque diz que “há sinais contraditórios” no projecto de Alexandre Alves FOTO: D.R.

A 15 de Setembro, a Câmara aceitou a recalendarização do projecto, prolongando pela segunda vez o prazo para que o complexo avançasse. Na altura, Alexandre Alves apresentou à autarquia uma garantia bancária de 500 milhões de euros, emitida por um consórcio bancário estrangeiro. O início da laboração estava inicialmente previsto para Janeiro de 2010.

Apesar de o prazo concedido ao ‘Barão Vermelho’ terminar já a 18 de Janeiro, Maria do Céu Albuquerque, presidente da Câmara, garante ao CM que "não foram mantidos quaisquer contactos" com a RPP Solar desde que a autarquia decidiu dar um novo prazo a Alexandre Alves, antes de declarar a caducidade do licenciamento do projecto.

"Se não for concluído de acordo com a recalendarização aprovada, a câmara será forçada a declarar a caducidade" e "reavaliará as repercussões do incumprimento quanto aos interesses do município", explica a autarca. A câmara despendeu 1,3 milhões de euros, sem contar com a isenção do pagamento de taxas, para garantir a instalação da RPP Solar junto à central do Pego.

"Se o projecto não se realizar, a câmara tudo fará para fazer valer o seu direito" e "terá de reagir, reavaliando as consequências e o impacto da situação", destaca Maria do Céu Albuquerque, reconhecendo que "há sinais contraditórios" quanto ao futuro da RPP Solar, por causa de problemas próprios (como pedidos de penhora e de insolvência) e também devido à actual crise económica.

VINTE EMPRESAS JÁ AVANÇARAM COM PENHORAS

Até agora, entraram nos tribunais processos de pedido de penhora e de insolvência da RPP Solar relativos a dívidas a pelo menos vinte empresas. Alexandre Alves reconheceu em Junho passado estar em falta com 7,5 milhões de euros, embora destacando que os activos valiam 107 milhões. Na mesma altura, afirmou ter conseguido 200 milhões de euros junto da Banca estrangeira para financiar a 1ª fase do projecto de painéis solares e tem estado a negociar as dívidas com os fornecedores.

ABRANTES CÂMARA BARÃO
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